IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024
Uma lactente de 9 meses, sexo feminino, é levada ao pronto-socorro com quadro de febre há 48 horas, acima de 39 graus. Os pais negaram a presença de sintomas respiratórios, vômitos ou diarreia. Ao exame, a paciente está abatida, hipocorada (1+/4+) e eupneica. Fontanela anterior aberta, normotensa. Não há exantema. Oroscopia e otoscopia normais. Dessa maneira, em relação ao quadro apresentado, assinale a alternativa correta.
Lactente com febre sem foco + EAS com esterase leucocitária (mesmo sem nitrito) coletado por punção/sonda → ITU provável → Iniciar ATB.
Lactentes com febre sem foco têm alto risco de infecção bacteriana grave, sendo a Infecção do Trato Urinário (ITU) uma das mais comuns. A coleta de urina por métodos invasivos minimiza a contaminação. A presença de esterase leucocitária no EAS é um forte preditor de ITU, justificando o início da antibioticoterapia empírica.
A febre sem foco em lactentes, especialmente em crianças menores de 3 meses, é uma condição que exige investigação cuidadosa devido ao risco de infecção bacteriana grave (IBG). Em lactentes de 3 a 36 meses, a incidência de IBG diminui, mas ainda é uma preocupação, sendo a Infecção do Trato Urinário (ITU) uma das causas mais comuns. A apresentação clínica pode ser inespecífica, tornando o diagnóstico um desafio. A investigação de febre sem foco em lactentes inclui exames laboratoriais como hemograma, PCR, e, crucialmente, o exame de urina (EAS) e urocultura. A coleta de urina em lactentes deve ser feita por métodos que minimizem a contaminação, como a punção suprapúbica ou o cateterismo vesical. A presença de esterase leucocitária no EAS é um forte indicativo de piúria e, consequentemente, de ITU, mesmo na ausência de nitrito, que pode ser negativo em infecções por bactérias não produtoras de nitrito ou em amostras com tempo de permanência vesical curto. Diante de um lactente com febre sem foco e um EAS sugestivo de ITU (esterase leucocitária positiva) coletado de forma adequada, a conduta correta é iniciar a antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente, sem aguardar o resultado da urocultura. O atraso no tratamento pode levar a complicações sérias, como pielonefrite e lesão renal. A urocultura confirmará o diagnóstico e guiará o ajuste do antibiótico, se necessário.
A coleta de urina por punção suprapúbica ou cateterismo vesical é crucial em lactentes para obter uma amostra estéril e minimizar a contaminação, garantindo a acurácia do diagnóstico de Infecção do Trato Urinário (ITU).
A esterase leucocitária indica a presença de leucócitos na urina (piúria), um sinal de inflamação e infecção. O nitrito pode estar ausente em lactentes porque a urina não permanece tempo suficiente na bexiga para que as bactérias convertam nitrato em nitrito.
A antibioticoterapia empírica deve ser considerada e iniciada prontamente em lactentes com febre sem foco e evidência de ITU no EAS (como esterase leucocitária positiva), especialmente se a coleta foi adequada, devido ao risco de pielonefrite e sepse.
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