HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024
Menino, 6 meses de idade, apresenta picos febris medidos entre 38 e 38,5 °C há 2 dias, sem outros sintomas. Ao exame, está afebril, em bom estado geral e com exame físico normal. Foi realizado teste rápido com fita (dipstick) em urina colhida por saco coletor, com resultado negativo para leucocituria e nitrito. A conduta indicada para o quadro apresentado é:
Lactente febril sem foco, exame normal, dipstick negativo (saco coletor) → Observar e reavaliar se febre persistir ou surgirem sintomas.
Em lactentes com febre sem foco aparente e exame físico normal, um dipstick urinário negativo colhido por saco coletor não exclui ITU de forma confiável. No entanto, na ausência de outros sintomas e com bom estado geral, a conduta inicial pode ser observação e reavaliação.
A febre sem foco aparente em lactentes é uma queixa comum e desafiadora na prática pediátrica, exigindo uma avaliação cuidadosa para excluir infecções bacterianas graves, como a Infecção do Trato Urinário (ITU). A idade do paciente, o estado geral e a presença de outros sintomas são fatores cruciais na tomada de decisão. Em lactentes jovens, a ITU pode se manifestar apenas com febre, tornando o diagnóstico precoce essencial para prevenir danos renais a longo prazo. No caso apresentado, um lactente de 6 meses com febre e exame físico normal, cujo teste rápido de urina (dipstick) por saco coletor foi negativo para leucocitúria e nitrito, levanta a questão da confiabilidade do método de coleta. O saco coletor tem uma alta taxa de contaminação, e um resultado negativo, embora tranquilizador, não exclui completamente uma ITU. No entanto, o bom estado geral do paciente e a ausência de outros sintomas permitem uma conduta mais conservadora inicialmente. A conduta indicada neste cenário é a observação e reavaliação. Caso a febre persista por mais de 48 horas ou surjam novos sintomas, uma investigação mais aprofundada, incluindo coleta de urina por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para urocultura, seria necessária. A ultrassonografia de rins e vias urinárias não é um exame de rotina para o diagnóstico inicial de ITU, sendo reservada para investigação de anomalias anatômicas após o diagnóstico confirmado ou em casos de ITU recorrente.
A ITU deve ser sempre considerada em lactentes febris, especialmente em menores de 2 anos, mesmo na ausência de sintomas urinários específicos. A febre pode ser o único sinal, e a prevalência de ITU é maior em meninas não circuncidadas e meninos não circuncidados.
Para diagnóstico de ITU em lactentes, a coleta de urina por cateterismo vesical ou punção suprapúbica são os métodos preferenciais, pois minimizam a contaminação e fornecem amostras mais confiáveis para urocultura.
O saco coletor de urina tem uma alta taxa de contaminação, o que pode levar a falsos positivos. Embora um resultado negativo para leucocitúria e nitrito possa reduzir a probabilidade de ITU, não a exclui com certeza, e um resultado positivo requer confirmação por coleta mais confiável.
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