Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023
Lactente de 3 meses e meio, sexo feminino, com febre de 39 ºC há 2 dias sem outros sintomas. Nasceu a termo, parto sem intercorrências, em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso e estatura adequados para a idade, tendo recebido todas as vacinas do calendário do Programa Nacional de Imunização. Apresenta-se no pronto atendimento em bom estado geral, temperatura de 39,5 ºC, sem outras alterações ao exame físico. A abordagem correta para essa situação clínica é
Lactente < 3 meses com febre sem foco → sempre investigar infecção bacteriana grave, mesmo em bom estado geral.
Lactentes jovens (< 3-6 meses) com febre, mesmo em bom estado geral, têm alto risco de infecção bacteriana grave oculta. A abordagem inicial deve incluir exames laboratoriais amplos (hemograma, hemocultura, sedimento urinário, urocultura) para identificar a fonte da febre e guiar a conduta, evitando alta precoce sem investigação adequada.
A febre sem foco em lactentes é um desafio diagnóstico e terapêutico na pediatria, especialmente em crianças menores de 3 a 6 meses. Nesses pacientes, a imaturidade do sistema imunológico e a apresentação clínica atípica podem mascarar infecções bacterianas graves (IBG), como sepse, meningite ou infecção do trato urinário, que podem ter alta morbidade e mortalidade se não forem prontamente identificadas e tratadas. A abordagem inicial deve ser cautelosa e sistemática. Mesmo lactentes que parecem em bom estado geral podem ter uma IBG oculta. Portanto, a investigação laboratorial é fundamental e inclui hemograma completo, hemocultura, sedimento urinário e urocultura. A coleta de líquor é considerada em lactentes muito jovens (< 1 mês) ou naqueles com sinais de toxicidade ou alterações neurológicas. A pesquisa viral pode ser útil para identificar etiologias virais e, potencialmente, reduzir o uso desnecessário de antibióticos. O manejo depende da avaliação do risco de IBG. Lactentes de baixo risco, após exames normais e com bom acompanhamento, podem ser liberados com reavaliação. No entanto, muitos exigem internação e antibioticoterapia empírica de amplo espectro até a exclusão de IBG. A decisão de iniciar antibióticos e internar deve ser individualizada, considerando a idade, o estado geral, os resultados dos exames e a capacidade de seguimento. O objetivo é evitar a progressão de infecções graves e garantir a segurança do paciente.
Os principais riscos da febre sem foco em lactentes jovens, especialmente abaixo de 3 a 6 meses, incluem a possibilidade de infecção bacteriana grave oculta, como sepse, meningite, infecção do trato urinário ou pneumonia, que podem progredir rapidamente e ter consequências sérias devido à imaturidade do sistema imunológico.
Na abordagem inicial de um lactente febril sem foco, são indicados hemograma completo, hemocultura, sedimento urinário e urocultura. Em casos de maior risco ou suspeita clínica, pode-se considerar a coleta de líquor para análise e cultura, além de pesquisa viral se disponível.
A internação hospitalar e antibioticoterapia empírica são geralmente necessárias para lactentes com febre sem foco que apresentam critérios de alto risco para infecção bacteriana grave (como idade < 1 mês, aparência tóxica, exames alterados) ou quando não é possível garantir um acompanhamento ambulatorial rigoroso. A decisão depende da avaliação clínica e dos resultados dos exames iniciais.
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