HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021
Felipe, 2 anos e 11 meses, sempre teve boa saúde, aleitamento materno exclusivo até 6 meses de idade. Desmame após os 2 anos. calendário de vacinas em dia. Sua mãe procura atendimento com MFC, devido aparecimento de febre há cerca de 2 dias, sem outras queixas associadas. Ao exame físico, o MFC não encontra nenhuma causa aparente para a febre. Qual a conduta CORRETA em uma situação como essa?
Criança > 3 meses, febre sem foco, bom estado geral → Orientar, reavaliar 24-48h (demora permitida).
Em crianças maiores de 3 meses com febre sem foco aparente e bom estado geral, a conduta inicial é a observação e reavaliação. Exames complementares e antibioticoterapia empírica são reservados para casos com sinais de alarme ou idade inferior.
A febre sem foco definido (FSFD) em crianças é uma queixa comum na pediatria, especialmente em menores de 3 anos. É definida como febre sem causa aparente após anamnese e exame físico detalhados. A maioria dos casos é de etiologia viral e autolimitada, mas a preocupação com infecções bacterianas graves (IBG) é constante, especialmente em lactentes jovens. O manejo da FSFD depende da idade da criança e do seu estado geral. Em crianças maiores de 3 meses, com bom estado geral e sem sinais de toxicidade, a conduta inicial é a observação e a "demora permitida", com reavaliação em 24 a 48 horas. A fisiopatologia envolve a resposta imune a patógenos, sendo a maioria viral, e o corpo geralmente consegue combater a infecção sem intervenção específica. O tratamento é sintomático, com antitérmicos. A decisão de solicitar exames complementares ou iniciar antibioticoterapia empírica é baseada na avaliação de risco para IBG, que é maior em neonatos e lactentes jovens, ou na presença de sinais de alarme. O prognóstico é geralmente bom para casos de baixo risco, reforçando a importância da observação criteriosa.
Sinais de alarme incluem letargia, irritabilidade persistente, dificuldade respiratória, cianose, convulsões, erupções cutâneas petequiais, recusa alimentar importante e desidratação. A presença de qualquer um desses sinais exige avaliação médica imediata.
A demora permitida é apropriada para crianças > 3 meses com febre sem foco aparente, bom estado geral, sem sinais de toxicidade ou alarme. Permite a observação domiciliar e reavaliação em 24-48 horas, considerando a alta prevalência de infecções virais autolimitadas.
A maioria dos quadros febris em crianças com bom estado geral é de origem viral e autolimitada. O uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana, expõe a criança a efeitos adversos desnecessários e pode mascarar o diagnóstico de uma infecção bacteriana grave.
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