MedEvo Simulado — Prova 2026
Enzo, um lactente de 22 meses de idade, previamente hígido e com esquema vacinal completo conforme o Programa Nacional de Imunizações (incluindo as vacinas pneumocócica e contra Haemophilus influenzae tipo b), é levado ao pronto-atendimento por apresentar dois episódios de febre (38,8 °C) nas últimas 24 horas. A mãe relata que, nos períodos de apirexia, o menino mantém-se ativo, brincando e aceitando bem a dieta, sem apresentar tosse, coriza, vômitos ou diarreia. Ao exame físico, Enzo encontra-se em bom estado geral, corado, hidratado, acianótico e anictérico. A propedêutica pulmonar e cardiovascular está normal, o abdome é inocente e a otoscopia e oroscopia não revelam alterações. Diante do quadro de febre sem foco definido nesta faixa etária, a conduta mais adequada é:
Lactente com febre sem foco e bom estado geral → Investigar ITU (Urina I + Urocultura).
Em lactentes entre 6 e 24 meses com febre sem sinais localizatórios, a infecção urinária é a causa bacteriana oculta mais prevalente, superando a bacteremia por pneumococo na era pós-vacinal.
A febre sem foco (FSF) é definida como uma temperatura ≥ 38°C de início agudo, onde a história e o exame físico minucioso não revelam a etiologia. Com a implementação das vacinas conjugadas contra Pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b, a incidência de bacteremia oculta caiu para menos de 1%. Consequentemente, a ITU tornou-se a principal preocupação em lactentes febris em bom estado geral. O risco de ITU é particularmente elevado em meninas menores de 24 meses e meninos não circuncidados menores de 12 meses. A conduta inicial deve priorizar o exame de urina (EAS/Urina tipo I) e a urocultura. Exames invasivos como punção lombar ou radiografias de tórax são reservados para pacientes com sinais clínicos específicos ou instabilidade hemodinâmica.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é a infecção bacteriana grave mais comum em lactentes com febre sem sinais localizatórios. Como os sintomas clássicos (disúria, polaciúria) estão ausentes nessa idade, a febre costuma ser a única manifestação clínica, exigindo triagem laboratorial sistemática.
Para a realização de urocultura em lactentes sem controle esfincteriano, o cateterismo vesical ou a punção suprapúbica são as técnicas recomendadas devido ao baixo risco de contaminação. O saco coletor apresenta altas taxas de falso-positivo, sendo útil apenas se o resultado for negativo.
Geralmente utiliza-se critérios como os de Rochester: lactente previamente hígido, bom estado geral, sem focos infecciosos ao exame, leucograma normal (5.000-15.000/mm³) e análise de urina normal. Lactentes que preenchem esses critérios têm baixo risco de bacteremia oculta.
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