Febre Reumática: Critérios de Jones e Diagnóstico Clínico

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 11 anos, previamente saudável, chega ao pronto atendimento com febre há 5 dias. Há 3 semanas apresentou dor de garganta com exsudato, não tratada. Evoluiu com dor e edema em joelho direito, que melhoraram espontaneamente, e posteriormente surgiram dor e aumento de volume no tornozelo esquerdo. Encontra-se febril, consciente e colaborativo. Com FC 110 bpm, PA 100x65 mmHg e FR 22 irpm. No exame físico, encontra-se edema, calor e dor à palpação em tornozelo esquerdo, sem deformidades; melhora espontânea prévia em joelho direito. Presença de sopro holossistólico em foco mitral irradiado para axila; movimentos involuntários rápidos e descoordenados em membros superiores, com labilidade emocional. Exames com VHS 70 mm/h; PCR 45 mg/l; ASLO 720UI/ml; ECG, intervalo PR prolongado; ecocardiograma, insuficiência mitral moderada. Qual o diagnóstico mais provável e o agente etiológico associado?

Alternativas

  1. A) Artrite idiopática juvenil, associada a autoimunidade.
  2. B) Endocardite infecciosa, causada por Staphylococcus aureus.
  3. C) Febre reumática, associada ao Streptococcus pyogenes, estreptococo beta-hemolítico do grupo A.
  4. D) Lúpus eritematoso sistémico juvenil, associado a anticorpos antinucleares.
  5. E) Púrpura trombocitopênica imune, associada a infecção viral prévia.

Pérola Clínica

Febre + Poliartrite migratória + Coreia + Sopro → Febre Reumática (Jones).

Resumo-Chave

A febre reumática é uma complicação autoimune pós-estreptocócica. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Jones, exigindo evidência de infecção prévia pelo GAS.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) resulta de uma resposta imune humoral e celular cruzada entre antígenos do Streptococcus pyogenes e tecidos humanos (mimetismo molecular). Ocorre tipicamente 2 a 3 semanas após uma faringoamigdalite não tratada ou tratada inadequadamente em indivíduos geneticamente suscetíveis. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar a sequelas valvares crônicas, sendo a valva mitral a mais acometida (insuficiência seguida de estenose). O tratamento da fase aguda envolve a erradicação do estreptococo com penicilina benzatina, anti-inflamatórios para a artrite e, em casos de cardite grave, corticosteroides. A profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias é crucial para prevenir novos surtos e agravamento das lesões valvares.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores de Jones para Febre Reumática?

Os critérios maiores incluem: 1) Cardite (manifestada por novos sopros, como insuficiência mitral); 2) Poliartrite migratória (geralmente de grandes articulações); 3) Coreia de Sydenham (movimentos involuntários e labilidade emocional); 4) Eritema marginado; e 5) Nódulos subcutâneos. A presença de dois critérios maiores, ou um maior e dois menores, associados à evidência de infecção estreptocócica prévia, confirma o diagnóstico.

Como interpretar a ASLO no diagnóstico?

A Antiestreptolisina O (ASLO) é um marcador de infecção prévia pelo Streptococcus pyogenes (grupo A). Títulos elevados ou em ascensão suportam o diagnóstico de febre reumática, mas não indicam atividade da doença de forma isolada. É necessário correlacionar com a clínica, pois a ASLO pode permanecer elevada por meses após a faringite.

O que é a Coreia de Sydenham?

É uma manifestação tardia da febre reumática, caracterizada por movimentos involuntários, descoordenados e rápidos, fraqueza muscular e labilidade emocional. Frequentemente aparece após os sintomas de artrite terem cedido. Curiosamente, a coreia pode ser o único critério maior presente, sendo suficiente para o diagnóstico de febre reumática mesmo na ausência de outros critérios ou evidência sorológica imediata.

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