SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Um adolescente de 14 anos, previamente saudável, é trazido ao pronto-socorro com dor articular migratória, febre e presença de nódulos subcutâneos. Há relato de uma infecção de garganta recente, não tratada. O exame físico revela sopro cardíaco compatível com regurgitação mitral e lesões eritematosas em formato de anel nos membros inferiores. Qual dos seguintes critérios de Jones e exame complemetar é o mais apropriado para confirmar o diagnóstico de febre reumática neste paciente?
Febre Reumática = 2 Maiores (ou 1 Maior + 2 Menores) + Evidência de Estreptococo (ASLO/Cultura).
O diagnóstico de Febre Reumática é clínico-laboratorial, exigindo obrigatoriamente a comprovação de infecção prévia pelo Streptococcus pyogenes (geralmente via ASLO) somada aos critérios de Jones.
A Febre Reumática (FR) resulta de uma resposta imune cruzada (mimetismo molecular) entre antígenos do estreptococo do grupo A e tecidos do hospedeiro (coração, articulações, cérebro). O adolescente do caso apresenta múltiplos critérios maiores: poliartrite migratória, nódulos subcutâneos, cardite (sopro de regurgitação mitral) e eritema marginado. Para fechar o diagnóstico de acordo com os Critérios de Jones revisados pela AHA, é necessária a presença de dois critérios maiores (ou um maior e dois menores) MAIS a evidência de infecção estreptocócica prévia. A alternativa C é a correta pois associa um critério maior presente no paciente (eritema marginado) com o exame complementar padrão para comprovar a etiologia estreptocócica (ASLO).
Os critérios maiores de Jones são os pilares clínicos para o diagnóstico do primeiro surto de febre reumática. Eles incluem: 1) Cardite (manifestada como sopros novos, pericardite ou insuficiência cardíaca); 2) Poliartrite migratória (geralmente acometendo grandes articulações); 3) Coreia de Sydenham (movimentos involuntários e labilidade emocional); 4) Eritema marginado (lesões anulares, não pruriginosas, com centro claro); e 5) Nódulos subcutâneos (firmes e indolores sobre superfícies extensoras). Em populações de alto risco, a monoartrite ou poliartralgia também podem ser consideradas critérios maiores.
A Febre Reumática é uma sequela não supurativa de uma faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes (Grupo A). Para o diagnóstico, é obrigatório demonstrar evidência de infecção estreptocócica prévia, exceto em casos de Coreia de Sydenham isolada ou cardite insidiosa. A dosagem de anticorpos antiestreptolisina O (ASLO ou ASLQ) é o método mais comum, pois os títulos se elevam 2 a 3 semanas após a infecção e permanecem altos por meses. Outras evidências incluem cultura de orofaringe positiva ou teste rápido de antígeno, embora estes frequentemente sejam negativos no momento em que os sintomas reumáticos aparecem.
O eritema marginado é um critério maior altamente específico, porém raro (ocorre em menos de 5% dos pacientes). Caracteriza-se por manchas eritematosas rosadas, de bordas nítidas e formato anular ou circular, que se expandem centrifugamente enquanto o centro clareia. Elas são migratórias, indolores, não pruriginosas e não deixam cicatrizes. Geralmente aparecem no tronco e na parte proximal dos membros, poupando a face. O calor (como um banho quente) pode acentuar a visibilidade das lesões. Diferencia-se do eritema multiforme por não apresentar vesículas ou envolvimento de mucosas.
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