Diagnóstico e Tratamento da Febre Reumática em Crianças

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Menino, 10 anos, morador de área urbana, está em avaliação no pronto-atendimento por apresentar dor em cotovelo direito há 1 dia. Há 1 semana, iniciou quadro de febre de 38,5 °C, 1 a 2 picos ao dia, associada à dificuldade de deambular devido ao joelho direito apresentar-se "doloroso e inchado". Após 4 dias, percebeu melhora da dor no joelho, porém o tornozelo direito começou a ficar "inchado e um pouco avermelhado", doloroso, com melhora em 2 dias. Há 3 semanas, havia se queixado de dor de garganta. Sem outras queixas. Nega contato com animais domésticos. No momento do atendimento, está com dificuldade para movimentar o cotovelo direito por causa da dor e do edema, frequência cardíaca de 110 bpm e 2 bulhas rítmicas normofonéticas, com sopro sistólico de 3+/6+. Restante do exame físico sem anormalidades. Considerando o quadro clínico apresentado, o agente etiológico e o tratamento de escolha são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) Borrelia burgdorferi; doxiciclina.
  2. B) Staphylococcus aureus; oxacilina.
  3. C) Treponema pallidum; penicilina G benzatina.
  4. D) Streptococcus pyogenes; penicilina G benzatina.

Pérola Clínica

Febre Reumática → Poliartrite migratória + Cardite + História de faringite = Streptococcus pyogenes, tratar com Penicilina G Benzatina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de poliartrite migratória, cardite (sopro sistólico novo) e história prévia de faringite sugere fortemente Febre Reumática; o agente etiológico é o Streptococcus pyogenes e o tratamento de escolha para erradicação e profilaxia secundária é a penicilina G benzatina.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que pode ocorrer após uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma condição autoimune que afeta principalmente crianças e adolescentes, com manifestações clínicas que podem envolver o coração, articulações, cérebro, pele e tecido subcutâneo. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Jones revisados, que combinam evidências de infecção estreptocócica recente com manifestações clínicas maiores e/ou menores. No caso apresentado, a poliartrite migratória (dor e inchaço que "migram" de uma articulação para outra), a história de faringite prévia e a presença de um sopro sistólico novo (sugerindo cardite) são elementos-chave para o diagnóstico de Febre Reumática. O tratamento visa erradicar o agente etiológico, o Streptococcus pyogenes, e prevenir recorrências. A penicilina G benzatina é a droga de escolha tanto para o tratamento da infecção aguda quanto para a profilaxia secundária, que é crucial para evitar danos cardíacos progressivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Febre Reumática?

Os critérios de Jones revisados incluem manifestações maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, aumento de VHS/PCR, prolongamento de PR no ECG), além de evidência de infecção estreptocócica recente.

Qual a importância do sopro sistólico no contexto da Febre Reumática?

Um sopro sistólico novo ou alterado, especialmente em um paciente com outros sintomas de Febre Reumática, pode indicar cardite reumática, uma das manifestações maiores e mais graves da doença.

Por que a penicilina G benzatina é o tratamento de escolha para Febre Reumática?

A penicilina G benzatina é eficaz na erradicação do Streptococcus pyogenes da orofaringe e é fundamental para a profilaxia secundária, prevenindo recorrências da Febre Reumática e o agravamento da doença cardíaca.

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