Febre Reumática: Diagnóstico pelos Critérios de Jones

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Criança de 12 anos de idade, apresenta artrite migratória em joelhos, tornozelos e punhos, associada a febre de 39 graus Celsius. Exames de laboratório revelam ASLO 600 (valor de referência: até 200), PCR 5 (normal até 0,1), VHS 120 mm/primeira hora (normal até 20 mm). Realizado ecocardiograma, normal. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta 2 critérios maiores e 3 critérios menores para Febre Reumática e deve iniciar profilaxia primaria com Penicilina G Benzatina a cada 21 dias.
  2. B) O paciente apresenta 1 critério maior e 2 critérios menores para Febre Reumática e deve iniciar profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina a cada 15 dias.
  3. C) O paciente apresenta 1 critério maior e 2 critérios menores para Febre Reumática e deve iniciar profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina a cada 21 dias.
  4. D) O paciente não preenche critérios para Febre Reumática, devendo receber anti- inflamatório não hormonal para tratamento de artrite pós-estreptocócica.
  5. E) O paciente não preenche critérios para Febre Reumática, devendo ser repetido o ecocardiograma em 48 horas para avaliar a evolução do quadro.

Pérola Clínica

Febre Reumática = 2 critérios maiores OU 1 maior + 2 menores + evidência de infecção estreptocócica.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Febre Reumática é feito pelos Critérios de Jones (revisados), que incluem critérios maiores (cardite, artrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevados, PR prolongado). É essencial a evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO elevado, cultura de orofaringe positiva ou teste rápido positivo).

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que ocorre como complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Afeta principalmente crianças e adolescentes, com manifestações que podem acometer o coração, articulações, cérebro, pele e tecido subcutâneo. A importância clínica reside no potencial de causar doença cardíaca reumática crônica, uma das principais causas de valvopatias adquiridas em países em desenvolvimento. O diagnóstico da FR é clínico, baseado nos Critérios de Jones revisados, que exigem a presença de dois critérios maiores ou um critério maior e dois menores, além de evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO elevado, cultura de orofaringe positiva ou teste rápido positivo). No caso apresentado, a criança tem artrite migratória (critério maior), febre, PCR e VHS elevados (critérios menores), e ASLO elevado (evidência de infecção recente), preenchendo 1 critério maior e 2 menores. Uma vez diagnosticada a Febre Reumática, a profilaxia secundária é essencial para prevenir novas crises e o agravamento da doença cardíaca. A Penicilina G Benzatina é o medicamento de escolha, administrada por via intramuscular a cada 21 dias. A duração da profilaxia varia de 5 anos (sem cardite) a até a vida adulta (com cardite grave ou valvopatia residual). O ecocardiograma normal no caso é um bom prognóstico, mas não exclui o diagnóstico de FR, apenas indica ausência de cardite clinicamente detectável no momento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores para o diagnóstico de Febre Reumática?

Os critérios maiores de Jones para Febre Reumática são: cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos.

Quando a profilaxia secundária para Febre Reumática é indicada e como é feita?

A profilaxia secundária é indicada após o diagnóstico de Febre Reumática para prevenir novas crises. É realizada com Penicilina G Benzatina, administrada intramuscularmente a cada 21 dias, por um período que varia conforme a presença de cardite.

Como diferenciar a artrite da Febre Reumática de outras artrites?

A artrite da Febre Reumática é tipicamente uma poliartrite migratória, assimétrica e de grandes articulações, que responde bem a anti-inflamatórios. É acompanhada de evidência de infecção estreptocócica recente e outros critérios de Jones.

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