Febre Reumática: Manejo da Cardite e Critérios de Jones

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, de 10 anos de idade, é levado ao pronto-socorro por dor articular intensa em joelhos, assimétrica, com migração para punho e cotovelos, melhorando após uso de anti-inflamatórios, após quadro de faringoamigdalite estreptocócica não tratada adequadamente. Junto a esse quadro, apresenta palpitações, dor torácica com dispneia e febre. Considerando a principal hipótese diagnóstica para este paciente, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Deve-se evitar o uso de analgésicos comuns para a artrite até a confirmação diagnóstica, uma vez que eles podem agir como fator de confusão, retardando o diagnóstico correto e, assim, seu tratamento adequado.
  2. B) As provas de fase aguda (VHS, PCR) devem ser solicitadas, pois auxiliam no diagnóstico da doença, acompanhamento e avaliação da resposta terapêutica. Os exames para a confirmação da infecção estreptocócica prévia devem ser solicitados apenas em caso de alteração das provas inflamatórias.
  3. C) Os glicocorticoides são recomendados nos casos de cardite moderada/grave, pois reduzem o tempo de evolução da cardite aguda, controlam o processo inflamatório e melhoram a dor associada à pericardite.
  4. D) É uma doença homogênea, com seu diagnóstico feito com base nos critérios de Jones modificados, que levam em consideração as manifestações clínicas da doença.

Pérola Clínica

Febre Reumática (cardite moderada/grave) → Glicocorticoides reduzem inflamação e tempo de evolução.

Resumo-Chave

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica pós-estreptocócica. Na presença de cardite moderada a grave, os glicocorticoides são a pedra angular do tratamento, pois reduzem a inflamação miocárdica e pericárdica, diminuindo o risco de sequelas cardíacas permanentes.

Contexto Educacional

A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como sequela tardia de uma infecção de orofaringe pelo *Streptococcus pyogenes* (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) não tratada ou inadequadamente tratada. Afeta principalmente crianças e adolescentes, com manifestações clínicas que podem envolver o coração (cardite), articulações (poliartrite migratória), sistema nervoso central (coreia de Sydenham), pele (eritema marginado) e tecido subcutâneo (nódulos subcutâneos). O diagnóstico da FR é clínico, baseado nos Critérios de Jones modificados, que combinam evidências de infecção estreptocócica prévia com a presença de critérios maiores e/ou menores. A cardite reumática é a manifestação mais grave, podendo levar a valvulopatias crônicas. O tratamento visa erradicar o estreptococo, controlar a inflamação e prevenir sequelas. Em casos de cardite moderada a grave, os glicocorticoides (como a prednisona) são a terapia de escolha, pois atuam rapidamente na supressão da inflamação, reduzindo a duração da cardite e o risco de lesões valvares permanentes. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é fundamental para prevenir recorrências da doença e o agravamento do dano cardíaco. O manejo adequado e precoce é essencial para melhorar o prognóstico dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios maiores de Jones para febre reumática?

Os critérios maiores incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, nódulos subcutâneos e eritema marginado, que são manifestações clínicas características da doença.

Quando os glicocorticoides são indicados no tratamento da febre reumática?

Glicocorticoides são indicados para o tratamento da cardite moderada a grave, pois ajudam a controlar a inflamação e a reduzir o risco de danos cardíacos permanentes, como valvulopatias.

Qual a importância da profilaxia secundária na febre reumática?

A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para prevenir novas infecções estreptocócicas e, consequentemente, recorrências da febre reumática, que podem agravar o dano cardíaco já existente.

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