Febre Reumática: Critérios Diagnósticos e Manejo Essencial

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015

Enunciado

Sobre a febre reumática, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A cultura de orofaringe é o método mais usado e recomendado, em nosso país, para evidenciar uma infecção prévia pelo Streptococcus beta-hemolítico do grupo A.
  2. B) A coreia isolada de etiologia não definida estabelece o diagnóstico de febre reumática independentemente de outros achados.
  3. C) A duração da profilaxia secundária em pacientes que não apresentaram cardite deve se estender até os 25 anos de idade ou até cinco anos após o último episódio, em caso de recidivas.
  4. D) A associação de anti-inflamatórios não hormonais e corticoides, em caso de artrite e cardite concomitantemente, é imprescindível.
  5. E) O folheto atingido, na cardite, é o pericárdio, o que ocorre em mais de 90% dos casos, determinando insuficiência, derrame e manifestando-se como abafamento de bulhas.

Pérola Clínica

Coreia de Sydenham isolada = diagnóstico de febre reumática, mesmo sem outros critérios de Jones.

Resumo-Chave

A Coreia de Sydenham é uma manifestação neurológica tardia da febre reumática e é considerada um critério maior de Jones. Sua presença isolada é suficiente para estabelecer o diagnóstico, pois é altamente específica para a doença, mesmo na ausência de outras manifestações como cardite ou artrite.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, sendo uma complicação tardia de uma infecção de orofaringe por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma causa importante de cardiopatia adquirida em crianças e adultos jovens, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico precoce e a profilaxia secundária são fundamentais para prevenir as sequelas cardíacas. O diagnóstico da febre reumática é clínico, baseado nos Critérios de Jones, que combinam manifestações clínicas maiores e menores com evidências de infecção estreptocócica prévia. A Coreia de Sydenham, uma manifestação neurológica caracterizada por movimentos involuntários, é um critério maior que, quando presente isoladamente e sem outra causa aparente, é suficiente para o diagnóstico. A cardite reumática, que afeta principalmente o endocárdio (valvas), é a complicação mais grave e pode levar a valvulopatias crônicas. O tratamento da febre reumática visa controlar a inflamação e prevenir novos episódios. Anti-inflamatórios não hormonais (AINH) são usados para artrite, e corticoides para cardite moderada a grave. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para evitar recidivas e a progressão da doença cardíaca, com duração variável conforme o acometimento cardíaco inicial. A cultura de orofaringe não é o método mais sensível para evidenciar infecção prévia, sendo os títulos de ASLO e anti-DNAse B mais úteis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de Jones para o diagnóstico de febre reumática?

Os critérios de Jones incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e critérios menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG). O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia mais dois critérios maiores ou um maior e dois menores.

Qual a duração da profilaxia secundária para febre reumática?

A duração da profilaxia secundária varia conforme o acometimento cardíaco: sem cardite, até 21 anos ou 5 anos após o último episódio (o que for maior); com cardite sem sequela, até 25 anos ou 10 anos após o último episódio; com cardite e sequela valvar persistente, até 40 anos ou por toda a vida.

Qual a importância da cultura de orofaringe no diagnóstico da febre reumática?

A cultura de orofaringe é útil para identificar a infecção aguda por Streptococcus pyogenes, mas não é o método mais recomendado para evidenciar infecção prévia na febre reumática, que é uma doença pós-estreptocócica. Testes sorológicos como ASLO e anti-DNAse B são mais indicados para evidenciar infecção prévia.

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