UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente de 35 anos, médica, apresentou febre reumática na infância e evoluiu com insuficiência mitral sintomática. Realizou troca valvar mitral com colocação de prótese biológica, apresentando ecocardiograma pós-operatório sem refluxo ou outros sinais de complicações. Na alta, a paciente solicita orientações quanto à profilaxia de febre reumática. Assinale a alternativa correta:
Febre reumática + lesão valvar residual grave/pós-cirurgia → profilaxia até 40 anos ou ad eternum.
A profilaxia secundária visa prevenir novos surtos de faringite estreptocócica que agravariam a lesão valvar. Em casos de lesão residual importante ou pós-troca valvar, o tempo é estendido.
A febre reumática é uma complicação autoimune tardia da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes. A profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias é o pilar para evitar a progressão da cardiopatia reumática. As diretrizes brasileiras são rigorosas: pacientes com sequelas valvares hemodinamicamente significativas ou operados devem manter a profilaxia por longos períodos. A cirurgia de troca valvar não cura a suscetibilidade imunológica do paciente ao estreptococo, apenas trata a consequência mecânica da doença, exigindo a manutenção da vigilância profilática.
Para pacientes que tiveram febre reumática mas não apresentaram cardite no surto inicial, a profilaxia deve ser mantida até os 21 anos de idade ou por 5 anos após o último surto (o que durar mais).
Nesses casos, a recomendação é manter a profilaxia secundária até os 25 anos de idade ou por 10 anos após o último surto (o que durar mais).
Em pacientes com lesão valvar residual grave ou que foram submetidos a cirurgia valvar (como troca por prótese), o risco de um novo surto causar danos catastróficos ou comprometer a prótese justifica a profilaxia até os 40 anos ou, em casos de alto risco de exposição, por toda a vida.
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