Febre Reumática: Coréia de Sydenham e Cardite

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023

Enunciado

Menina de 10 anos foi atendida no PA de hospital de emergência com história de febre que persiste há 6 dias associada à artralgia em tornozelo direito, com edema e dor além de limitação de sua deambulação. Ao exame físico apresentava-se com temperatura axilar de 36,8ºC, pálida 1+/4+, eupneica e na ausculta cardíaca apresentava sopro sistólico +/4+ em borda esternal esquerda no 3.° espaço intercostal, frequência cardíaca de 130 bpm. Exames laboratoriais: VHS= 72mm/1ªhora, PCR= 18mg/dL, hemograma: hemoglobina=10,7g/dL, leucócitos: 16.000/mm³, segmentados= 89,2%, linfócitos= 5,6%, plaquetas= 180.000/mm³, ASLO= 500 UI/dL. Levando-se em conta a possibilidade de termos uma paciente com suspeita diagnóstica de doença reumática, assinale a seguir, a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Embora possa ocorrer como manifestação isolada da febre reumática, a Coréia de Sydenham se apresenta com frequência associada à cardite clínica ou subclínica.
  2. B) Os AINES não apresentam bons resultados no controle da artrite.
  3. C) Tanto o ASLO como a alfa-1-glicoproteína ácida elevadas, são critérios maiores de Jones para o diagnóstico de febre reumática.
  4. D) Na fase aguda, a lesão cardíaca mais frequente é a estenose mitral.
  5. E) Nas crianças com sequelas cardíacas, a profilaxia secundária vai até os 20 anos.

Pérola Clínica

Coréia de Sydenham → manifestação neurológica tardia da febre reumática, frequentemente associada à cardite, mesmo subclínica.

Resumo-Chave

A Coréia de Sydenham é uma manifestação maior da febre reumática, caracterizada por movimentos involuntários, incoordenados e sem propósito. Embora possa ser a única manifestação maior, é comum que haja evidência de cardite (clínica ou subclínica) associada, o que influencia a duração da profilaxia secundária.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, ocorrendo como uma sequela não supurativa de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma condição de grande importância na pediatria e clínica médica, especialmente em regiões com acesso limitado a cuidados de saúde, devido ao seu potencial de causar doença cardíaca reumática crônica. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune desencadeada por mimetismo molecular, onde anticorpos produzidos contra antígenos estreptocócicos reagem de forma cruzada com tecidos do hospedeiro. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones, que combinam manifestações maiores (cardite, artrite, Coréia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento PR), juntamente com evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO, cultura de orofaringe). A Coréia de Sydenham, uma manifestação neurológica tardia, é um critério maior e, embora possa ser isolada, frequentemente coexiste com cardite, que deve ser ativamente investigada. O tratamento da fase aguda visa controlar a inflamação e erradicar o estreptococo. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para prevenir recorrências e o desenvolvimento ou progressão da doença cardíaca reumática. A duração da profilaxia depende da presença e gravidade do envolvimento cardíaco. A estenose mitral é a lesão cardíaca crônica mais comum, mas na fase aguda, a cardite se manifesta como pancardite, com valvulite sendo a lesão mais frequente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de Jones para o diagnóstico de febre reumática?

Os critérios maiores de Jones incluem cardite, poliartrite migratória, Coréia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os critérios menores são febre, artralgia, VHS/PCR elevados e prolongamento do intervalo PR no ECG. O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia mais 2 maiores ou 1 maior e 2 menores.

Qual a importância da Coréia de Sydenham no contexto da febre reumática?

A Coréia de Sydenham é uma manifestação neurológica maior da febre reumática, indicando envolvimento do sistema nervoso central. Embora possa ser isolada, sua presença frequentemente se associa à cardite, que pode ser subclínica, e exige profilaxia secundária prolongada para prevenir recorrências e danos cardíacos.

Por quanto tempo deve ser feita a profilaxia secundária da febre reumática?

A duração da profilaxia secundária varia conforme o envolvimento cardíaco. Para pacientes sem cardite, é de 5 anos ou até 21 anos de idade. Com cardite sem doença valvar residual, 10 anos ou até 21 anos. Com cardite e doença valvar residual, até os 40 anos ou por toda a vida.

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