UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Adolescente de 12 anos de idade, iniciou quadro febre, poliartrite migratória em articulações de joelhos, tornozelos e punhos com duração do envolvimento de cada articulação em torno de 6 dias. Evoluiu com dispneia, taquicardia, tiragem intercostal e de fúrcula, ictus cordis palpável e visível em foco mitral. Apresenta ainda, edema de face, e membros inferiores, e ainda, hepatomegalia dolorosa. Hemograma com anemia, leucocitose, plaquetas normais. VHS: 90 mmhg, PCR reagente. Baseado nos dados acima, o diagnóstico mais provável é:
Poliartrite migratória + cardite + febre em adolescente pós-infecção = Febre Reumática (critérios de Jones).
A Febre Reumática é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre após uma infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A apresentação clássica inclui poliartrite migratória, cardite, coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos, sendo a cardite a manifestação mais grave.
A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica que se desenvolve como uma complicação não supurativa tardia de uma infecção de orofaringe por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É mais comum em crianças e adolescentes e, embora sua incidência tenha diminuído em países desenvolvidos, ainda representa um problema de saúde pública significativo em regiões em desenvolvimento. A importância clínica reside no potencial de causar danos cardíacos permanentes, conhecidos como doença cardíaca reumática crônica. O diagnóstico da FR é baseado nos Critérios de Jones, que combinam evidências de infecção estreptocócica recente com a presença de manifestações clínicas maiores e/ou menores. As manifestações maiores incluem cardite (inflamação do coração, que pode afetar o pericárdio, miocárdio e endocárdio, levando a valvulopatias), poliartrite migratória (inflamação de grandes articulações que se move de uma para outra), coreia de Sydenham (movimentos involuntários), eritema marginado (lesões cutâneas anulares) e nódulos subcutâneos. As manifestações menores incluem febre, artralgia, elevação de VHS e PCR, e prolongamento do intervalo PR no ECG. O caso descrito, com poliartrite migratória, febre, e sinais de cardite (dispneia, taquicardia, ictus cordis visível em foco mitral, edema, hepatomegalia), além de marcadores inflamatórios elevados, é altamente sugestivo de FR. O tratamento da FR visa erradicar o estreptococo (com penicilina), controlar a inflamação e prevenir recorrências. O prognóstico está diretamente relacionado à presença e gravidade da cardite. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para prevenir novos surtos e, consequentemente, a progressão da doença cardíaca reumática. Residentes devem estar atentos à história de infecção de garganta e às manifestações clínicas para um diagnóstico precoce e manejo adequado, evitando as sequelas cardíacas devastadoras.
As principais manifestações clínicas da Febre Reumática, conforme os Critérios de Jones, incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos.
A Febre Reumática é uma complicação não supurativa tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) em indivíduos geneticamente predispostos.
A cardite é a manifestação mais grave porque pode levar a danos valvulares permanentes (doença cardíaca reumática crônica), resultando em insuficiência cardíaca, arritmias e necessidade de cirurgia.
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