HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020
Menina com 9 anos de idade e história de artrite no punho direito por 3 dias, seguida por artrite no tornozelo esquerdo com duração de 2 dias e por artrite no joelho que também durou 2 dias. Apresentou melhora com aspirina. Na avaliação laboratorial apresentou aumento das provas de atividade inflamatória. Uma semana depois apresentou cansaço aos médios esforços. Quais os achados mais prováveis na ausculta cardíaca?
Artrite migratória + cansaço pós-infecção estreptocócica → Febre Reumática com cardite → Taquicardia + sopro sistólico mitral.
O quadro clínico de artrite migratória, melhora com aspirina e aumento de provas inflamatórias em uma criança sugere Febre Reumática. O cansaço aos médios esforços uma semana depois indica cardite, que na fase aguda da Febre Reumática frequentemente se manifesta como insuficiência mitral, gerando um sopro sistólico em foco mitral e taquicardia.
A Febre Reumática é uma doença inflamatória sistêmica autoimune que pode ocorrer após uma infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) não tratada. É mais comum em crianças e adolescentes e pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele. A cardite reumática é a manifestação mais grave, podendo levar a danos valvulares permanentes. O diagnóstico é baseado nos Critérios de Jones, que combinam achados clínicos maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, aumento de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG), associados à evidência de infecção estreptocócica prévia. A artrite migratória é um achado clássico, e a melhora com salicilatos é característica. A cardite aguda manifesta-se com taquicardia, sopros (principalmente insuficiência mitral, que gera um sopro sistólico), e pode levar a insuficiência cardíaca. O tratamento visa controlar a inflamação (com anti-inflamatórios como aspirina ou corticosteroides) e erradicar o estreptococo, além da profilaxia secundária para prevenir recorrências. Residentes devem estar atentos à história de infecção prévia e aos sinais de cardite para um diagnóstico e manejo precoces.
Os critérios maiores incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os menores são febre, artralgia, aumento de VHS/PCR e prolongamento do PR no ECG.
A valva mitral é a mais acometida devido à sua estrutura e ao fluxo sanguíneo, tornando-a mais suscetível à inflamação e ao dano valvular causado pela resposta autoimune à infecção estreptocócica.
A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para prevenir novas infecções por estreptococos do grupo A, que poderiam desencadear novos surtos de Febre Reumática e agravar o dano cardíaco.
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