Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Escolar, sexo masculino, com oito anos, apresentou, há duas semanas, odinofagia, febre alta e prostração, tendo sido medicado apenas com antitérmicos. Há uma semana apresentou quadro de artrite de caráter migratório, acometendo tornozelos, joelhos e punhos. Há 48 horas iniciou o uso de ibuprofeno e hoje se encontra assintomático do ponto de vista osteoarticular, retornando à consulta porque surgiram "caroços no corpo". Ao exame físico: articulações normais, ausculta cardíaca com sopro, nódulos indolores e móveis em algumas proeminências ósseas e topografia de alguns tendões. Exames laboratoriais mostram discreta leucocitose, plaquetas e série vermelha de valores normais; VHS: 50 mm/1ªh; antiestreptolisina O (ASLO): 1200U Todd. O médico ficou preocupado com possível evolução para cardite grave e solicitou o retorno da criança brevemente. Dentre os achados dessa criança, aquele que alerta para possível comprometimento cardíaco mais grave é:
Nódulos subcutâneos na Febre Reumática = Marcador de Cardite Grave.
Embora raros, os nódulos subcutâneos são altamente específicos para Febre Reumática e possuem uma correlação clínica quase universal com o desenvolvimento de cardite moderada a grave.
A Febre Reumática é uma complicação não supurativa da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones (Maiores: Artrite, Cardite, Coreia, Nódulos Subcutâneos, Eritema Marginado). A cardite é a única manifestação que pode deixar sequelas crônicas (valvopatia reumática). A identificação de nódulos subcutâneos deve elevar imediatamente a suspeita de inflamação miocárdica ou valvar ativa e grave.
Os nódulos subcutâneos são um dos critérios maiores de Jones para o diagnóstico de Febre Reumática. Eles são pequenos, firmes, indolores e localizam-se sobre proeminências ósseas ou tendões. Sua importância clínica reside no fato de que raramente aparecem isolados; eles estão quase sempre associados à cardite, servindo como um marcador clínico de que o envolvimento cardíaco pode ser mais severo e persistente.
Não. A Antiestreptolisina O (ASLO) é um marcador de evidência de infecção prévia pelo Estreptococo do grupo A. Um título elevado confirma que houve o gatilho infeccioso necessário para a resposta autoimune da Febre Reumática, mas o valor absoluto (ex: 1200 U Todd) não se correlaciona com a gravidade das lesões valvares ou com o prognóstico da doença.
A artrite clássica da Febre Reumática é uma poliartrite migratória de grandes articulações (joelhos, tornozelos, cotovelos e punhos). Ela é extremamente dolorosa, mas apresenta uma resposta dramática e rápida ao uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como o ibuprofeno ou aspirina, frequentemente desaparecendo em 24 a 48 horas após o início do tratamento.
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