Febre Reumática: Diagnóstico e Profilaxia Secundária

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um escolar de 9 anos de idade, previamente hígido, é levado à consulta pediátrica com queixa de dor intensa e edema em joelho direito há 3 dias, que melhorou espontaneamente, mas agora acomete o tornozelo esquerdo e o punho direito. A mãe relata que o filho apresentou quadro de dor de garganta tratada apenas com analgésicos comuns há cerca de três semanas. Ao exame físico, o paciente encontra-se febril (38,6 °C), com artrite evidente em tornozelo esquerdo. A ausculta cardíaca revela ritmo regular, em dois tempos, sem sopros. O eletrocardiograma demonstra um intervalo PR de 0,22 segundos (valor de referência para a idade: até 0,16s). Os exames laboratoriais mostram uma Velocidade de Hemossedimentação (VHS) de 88 mm/h e o título de Antiestreptolisina O (ASO) de 640 UI/mL. Diante desse quadro clínico, qual é a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Iniciar Ácido Acetilsalicílico em doses anti-inflamatórias e aguardar a normalização do intervalo PR para confirmar o diagnóstico.
  2. B) Prescrever Prednisona na dose de 2 mg/kg/dia, visto que o prolongamento do intervalo PR caracteriza cardite reumática moderada.
  3. C) Solicitar um ecocardiograma para identificar cardite subclínica, pois o diagnóstico só pode ser fechado com dois critérios maiores.
  4. D) Confirmar o diagnóstico de Febre Reumática e iniciar a profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina a cada 21 dias.

Pérola Clínica

1 Critério Maior + 2 Menores + Evidência de Estreptococo = Febre Reumática.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Febre Reumática baseia-se nos Critérios de Jones revisados. A presença de poliartrite migratória (maior) associada a febre, VHS elevado e PR prolongado (menores) confirma o quadro.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma complicação tardia e não supurativa da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes (Grupo A). A patogênese envolve mimetismo molecular, onde anticorpos contra a bactéria reagem de forma cruzada com tecidos do hospedeiro (coração, articulações, cérebro). O diagnóstico é eminentemente clínico-laboratorial através dos Critérios de Jones, exigindo obrigatoriamente a prova de infecção estreptocócica prévia. A artrite é tipicamente uma poliartrite migratória de grandes articulações, com resposta dramática a anti-inflamatórios. O tratamento do surto foca na erradicação do estreptococo e controle da inflamação, mas a medida de maior impacto a longo prazo é a profilaxia secundária rigorosa para evitar a cardiopatia reumática crônica, principal causa de cirurgia valvar em jovens no Brasil.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores de Jones?

Os critérios maiores de Jones para o diagnóstico inicial de febre reumática em populações de baixo risco incluem: cardite (clínica ou subclínica), artrite (poliartrite), coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Em populações de moderado/alto risco, a poliartralgia ou monoartrite também podem ser consideradas critérios maiores. É essencial a evidência de infecção prévia pelo estreptococo do grupo A (ASO elevado ou cultura de orofaringe positiva), exceto na coreia isolada ou cardite insidiosa.

O intervalo PR prolongado indica cardite?

O prolongamento do intervalo PR no eletrocardiograma é considerado um critério menor de Jones. Embora reflita um atraso na condução atrioventricular que pode ocorrer na febre reumática, ele não é sinônimo de cardite clínica (que exige sopros de regurgitação valvar) nem de cardite subclínica (identificada por ecocardiograma). Se a cardite já for usada como critério maior, o PR prolongado não pode ser contado como critério menor adicional.

Como funciona a profilaxia secundária?

A profilaxia secundária visa prevenir novos surtos de febre reumática que poderiam agravar lesões valvares. O padrão-ouro é a Penicilina G Benzatina por via intramuscular a cada 21 dias. A duração varia: 5 anos ou até os 21 anos de idade (o que durar mais) para pacientes sem cardite; 10 anos ou até os 25 anos para cardite curada; e até os 40 anos ou por toda a vida em casos de lesão valvar residual grave ou pós-cirurgia valvar.

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