HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023
Mulher, 25 anos, refere dor e inchaço em joelho esquerdo há 1 semana, após ter apresentado quadro semelhante em tornozelo direito e cotovelo esquerdo. Relata que desde os primeiros sintomas, apresenta febre associada, com temperatura axilar de até 38 ºC. Exame físico: ausculta cardíaca com sopro diastólico em ruflar 3+/6+ em área mitral; presença de nódulos fibroelásticos e móveis em cotovelo; sinais vitais normais.A conduta terapêutica neste momento é:
Febre Reumática Aguda: Cardite + Artrite migratória + Nódulos subcutâneos → Penicilina G Benzatina para profilaxia secundária.
A apresentação clínica da paciente, com poliartrite migratória, febre, sopro diastólico (sugestivo de cardite mitral) e nódulos subcutâneos, é altamente compatível com Febre Reumática Aguda. A conduta terapêutica neste momento visa a profilaxia secundária para prevenir novas recorrências e agravamento da doença cardíaca, sendo a Penicilina G Benzatina a escolha padrão.
A Febre Reumática Aguda (FRA) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como sequela de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A) em indivíduos geneticamente predispostos. É uma condição de grande importância na saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, devido ao seu potencial de causar doença cardíaca reumática crônica, uma das principais causas de cardiopatia adquirida em crianças e jovens adultos. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones, que combinam manifestações clínicas maiores e menores com evidência de infecção estreptocócica recente. A fisiopatologia envolve uma reação autoimune, onde anticorpos produzidos contra antígenos estreptocócicos reagem de forma cruzada com tecidos do hospedeiro (mimetismo molecular), principalmente coração, articulações, cérebro e pele. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar a valvulopatias permanentes. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com poliartrite migratória, febre e sinais cardíacos como sopros novos ou alterados. Exames complementares como VHS, PCR e ASLO auxiliam na confirmação da inflamação e infecção prévia. O tratamento da fase aguda visa controlar a inflamação e os sintomas, geralmente com anti-inflamatórios. No entanto, a conduta mais crucial e preventiva é a profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina, administrada intramuscularmente a cada 21 dias. Esta medida é fundamental para prevenir novas infecções estreptocócicas e, consequentemente, novas crises de FRA, que poderiam agravar a lesão cardíaca. O prognóstico depende da gravidade da cardite e da adesão à profilaxia.
Os principais critérios diagnósticos são os Critérios de Jones, que incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG), além de evidência de infecção estreptocócica prévia.
A Penicilina G Benzatina é indicada para a profilaxia secundária da Febre Reumática Aguda. Seu objetivo é prevenir novas infecções por Streptococcus pyogenes, que poderiam desencadear novas crises reumáticas e agravar a lesão cardíaca já existente.
A artrite da Febre Reumática é tipicamente migratória, afetando grandes articulações de forma assimétrica e respondendo bem a salicilatos. Diferencia-se de outras artrites por sua característica migratória e associação com outros critérios de Jones.
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