Febre Reumática Aguda: Diagnóstico e Seguimento Cardíaco

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2021

Enunciado

Adolescente de 15 anos, sexo masculino, compareceu a UBS há 03 semanas com quadro de faringite aguda, sendo medicado com sulfametoxazol-trimetoprim. Retorna há 01 semana com quadro de febre e dor articular. Ao exame: Febre de 38,9 graus, FC:120 bpm, FR: 24 irpm, sem sopros ou alterações cardíacas. Apresenta exantema macular, não pruriginoso, com círculo eritematoso circundado a pele normal e sinais inflamatórios em joelho esquerdo e tornozelo direito.De acordo com a hipótese que você pensou, o exame completar para seguimento do caso será:

Alternativas

  1. A) Escanometria
  2. B) Ecocardiograma
  3. C) Raio-x de tórax
  4. D) Raio-x de membros inferiores.

Pérola Clínica

Suspeita de Febre Reumática Aguda (FRA) com cardite → Ecocardiograma é essencial para avaliar envolvimento cardíaco.

Resumo-Chave

O quadro clínico de faringite prévia, febre, dor articular (artrite migratória) e exantema macular (eritema marginado) em um adolescente é altamente sugestivo de Febre Reumática Aguda. O exame complementar mais importante para seguimento é o ecocardiograma, pois a cardite é a manifestação mais grave e a principal causa de morbimortalidade a longo prazo.

Contexto Educacional

A Febre Reumática Aguda (FRA) é uma doença inflamatória sistêmica que ocorre como complicação não supurativa de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes. Afeta principalmente crianças e adolescentes, sendo uma causa importante de doença cardíaca adquirida em países em desenvolvimento. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir a doença cardíaca reumática crônica. O diagnóstico da FRA é baseado nos Critérios de Jones modificados, que incluem manifestações maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do intervalo PR no ECG), além de evidência de infecção estreptocócica recente. No caso apresentado, a faringite prévia, febre, dor articular e exantema macular são fortes indicativos. A cardite é a manifestação mais grave da FRA, podendo levar a valvulopatias permanentes. Por isso, o ecocardiograma é o exame complementar mais importante para avaliar o envolvimento cardíaco, mesmo na ausência de sopros. O tratamento inclui antibióticos para erradicar o estreptococo, anti-inflamatórios para controlar a inflamação e, em casos de cardite, profilaxia secundária com penicilina benzatina para prevenir recorrências e progressão da doença cardíaca.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores de Jones para o diagnóstico de Febre Reumática Aguda?

Os critérios maiores de Jones incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Para o diagnóstico, são necessários dois critérios maiores ou um maior e dois menores, além de evidência de infecção estreptocócica prévia.

Por que o ecocardiograma é o exame complementar mais importante neste caso?

O ecocardiograma é crucial porque a cardite é a manifestação mais grave da Febre Reumática Aguda e a única que pode levar a sequelas permanentes (doença cardíaca reumática). Ele permite detectar valvulopatias, como insuficiência mitral ou aórtica, mesmo na ausência de sopros audíveis ao exame físico.

Qual a relação entre a faringite e a Febre Reumática Aguda?

A Febre Reumática Aguda é uma complicação inflamatória tardia de uma infecção prévia por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) na faringe. A resposta imune do hospedeiro contra o estreptococo, por mimetismo molecular, ataca tecidos próprios, como o coração, articulações, cérebro e pele.

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