Tratamento da Febre Reumática com Cardite na Infância

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015

Enunciado

No item a seguir, é apresentado um caso clínico a respeito de doenças cardiovasculares na infância e na adolescência, seguido de uma assertiva a ser julgada. Escolar do sexo masculino com 30 kg apresentava quadro de febre e poliartralgia migratória havia uma semana. Sua mãe relatou que três semanas antes do início do quadro ele havia tido amigdalite bacteriana, tratada com antibiótico. No exame clínico, além de artrite no joelho direito, foram identificados sopro sistólico em foco mitral e sopro diastólico em foco aórtico, sem sinais de descompensação cardíaca. O hemograma completo mostrou leucocitose com neutrofilia, sem desvio para a esquerda e sem granulações tóxicas. A dosagem de ASLO foi de 1.000 UI e a da proteína C reativa, de 5 UI/L. A ecocardiografia do paciente revelou a presença de regurgitação aórtica e mitral, com câmaras cardíacas de tamanhos normais. Nesse caso, a terapêutica medicamentosa indicada para o paciente consiste na administração de penicilina benzatina por via intramuscular, na dose de 1.200.00 UI e prednisona por via oral na dose de 2mg/kg/dia por três semanas, com redução progressiva semanal do corticoide de 20%.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Febre Reumática + Cardite → Erradicação do Estrep (Penicilina G) + Corticoterapia (Prednisona 2mg/kg).

Resumo-Chave

O diagnóstico de Febre Reumática baseia-se nos Critérios de Jones; a presença de cardite (sopro novo ou eco alterado) exige supressão inflamatória com corticoides, além da erradicação do estreptococo.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) é uma sequela não supurativa da faringoamigdalite pelo Estreptococo do grupo A, ocorrendo por mimetismo molecular em indivíduos geneticamente predispostos. O caso descreve um escolar com poliartralgia e sopros de regurgitação mitral e aórtica, configurando cardite clínica. A elevação da ASLO confirma a infecção prévia, preenchendo os critérios de Jones. O tratamento visa três pilares: erradicação do agente (Penicilina Benzatina), tratamento da inflamação (Corticoides para cardite) e suporte para insuficiência cardíaca se necessário. A dose de Prednisona de 2mg/kg/dia com desmame gradual é a conduta padrão para evitar o efeito rebote inflamatório. A profilaxia secundária deve ser iniciada imediatamente após o tratamento da fase aguda para evitar recorrências que aumentam o risco de valvopatia crônica grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Jones para Febre Reumática?

Os critérios de Jones são divididos em Maiores (Poliartrite migratória, Cardite, Coreia de Sydenham, Eritema marginado e Nódulos subcutâneos) e Menores (Febre, Artralgia, ↑PCR/VHS, prolongamento do intervalo PR). Para o diagnóstico inicial, exige-se 2 critérios maiores OU 1 maior e 2 menores, sempre acompanhados de evidência de infecção estreptocócica prévia (ASLO elevado ou cultura de orofaringe positiva).

Quando indicar corticoide na Febre Reumática?

A corticoterapia (geralmente Prednisona 1-2 mg/kg/dia) está indicada na presença de cardite moderada ou grave (presença de sopros, cardiomegalia ou insuficiência cardíaca). Em casos de cardite leve ou apenas artrite isolada, os salicilatos (Aspirina) ou outros AINEs costumam ser suficientes para o controle sintomático e inflamatório, mas a cardite clínica classicamente beneficia-se do uso de esteroides.

Como é feita a erradicação do estreptococo?

Independentemente da presença de faringite ativa no momento do diagnóstico, todos os pacientes com Febre Reumática devem receber tratamento para erradicar o Streptococcus pyogenes. O padrão-ouro é a Penicilina G Benzatina intramuscular (600.000 UI para <27kg e 1.200.000 UI para >27kg). Após a erradicação, inicia-se a profilaxia secundária para prevenir novos surtos e agravamento das lesões valvares.

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