Febre Reumática: Diagnóstico e Monitoramento da Atividade

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Luana, 8 anos, previamente hígida, é trazida ao pronto-socorro com "dores fortes nas pernas" que se iniciaram há 10 dias em tornozelo direito, com melhora espontânea em cinco dias e aparecimento a seguir em joelho ipsilateral. Hoje refere melhora deste quadro e acometimento do joelho esquerdo. Febre associada e mal-estar geral. Nega trauma. Febril (38,5ºC), taquicárdica, sopro sistólico em foco mitral, abafamento de primeira bulha, dor à movimentação passiva e ativa do tornozelo e joelho direitos; dor, edema ++/4 e limitação de movimentos em joelho esquerdo. RX de tórax normal, ECG - aumento do intervalo PR, aumento do VHS e PCR, cultura de orofaringe positiva para estreptococos. Assinale a alternativa que representa o exame laboratorial que pode ser usado para monitorar atividade desta doença:

Alternativas

  1. A) PCR.
  2. B) Velocidade de Hemossedimentação (VHS).
  3. C) Alfa-1-glicoproteína ácida.
  4. D) DHL.
  5. E) ASLO.

Pérola Clínica

Febre Reumática: Artrite migratória + Cardite + Febre + ↑ VHS/PCR. Monitorar atividade com PCR ou VHS (e AGP).

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (artrite migratória, cardite, febre, ↑ VHS/PCR, cultura positiva para estreptococos) é compatível com Febre Reumática Aguda. A monitorização da atividade inflamatória é crucial para guiar o tratamento, e marcadores como PCR, VHS e alfa-1-glicoproteína ácida são utilizados para esse fim.

Contexto Educacional

A Febre Reumática Aguda (FRA) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como sequela de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A) em indivíduos geneticamente predispostos. É uma condição que afeta principalmente crianças e adolescentes, com manifestações clínicas variadas, incluindo artrite migratória, cardite, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos, conforme os Critérios de Jones modificados. O caso de Luana, com artrite migratória, febre, cardite (sopro, abafamento de B1, PR prolongado) e evidência de infecção estreptocócica (cultura positiva), é um exemplo clássico de FRA. O diagnóstico da FRA é clínico e laboratorial, exigindo a presença de dois critérios maiores ou um maior e dois menores, além da evidência de infecção estreptocócica recente. A cardite é a manifestação mais temida, pois pode levar a sequelas cardíacas permanentes. O tratamento visa controlar a inflamação, erradicar o estreptococo e prevenir recorrências. Para monitorar a atividade inflamatória da doença e guiar a terapia, são utilizados marcadores de fase aguda. A Proteína C Reativa (PCR) e a Velocidade de Hemossedimentação (VHS) são os mais comumente empregados. A alfa-1-glicoproteína ácida (AGP) é outro reagente de fase aguda que pode ser utilizado para esse fim, refletindo a intensidade do processo inflamatório. O ASLO, por sua vez, indica infecção estreptocócica prévia, mas não é um bom marcador para monitorar a atividade inflamatória atual da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de Jones para o diagnóstico de febre reumática?

Os critérios maiores incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os menores são febre, artralgia, VHS/PCR elevadas e prolongamento do intervalo PR no ECG. O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia.

Por que a cardite é uma complicação grave da febre reumática?

A cardite reumática é a manifestação mais grave, pois pode levar a danos permanentes nas válvulas cardíacas (valvulopatia reumática), resultando em insuficiência cardíaca e necessidade de cirurgia valvular no futuro.

Quais exames laboratoriais são usados para monitorar a atividade inflamatória na febre reumática?

Os principais exames são a Proteína C Reativa (PCR) e a Velocidade de Hemossedimentação (VHS). A alfa-1-glicoproteína ácida também é um reagente de fase aguda que pode ser utilizada para monitorar a atividade inflamatória da doença.

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