PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Menino de 10 anos de idade é levado ao consultório pediátrico com queixas de febre, dor nas articulações e fadiga. Durante a avaliação, o médico ausculta um sopro cardíaco. Considerando o contexto de febre reumática, qual das seguintes características relativas ao sopro é MAIS SUGESTIVA de que se trata de um sopro patológico, relacionado a lesões cardíacas secundárias à febre reumática?
Cardite Reumática → Sopro holossistólico em foco mitral (alta intensidade) + irradiação para axila esquerda.
A insuficiência mitral é a manifestação cardíaca mais comum da febre reumática aguda, caracterizada por um sopro sistólico de regurgitação que indica dano valvar orgânico.
A Febre Reumática é uma complicação tardia de faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes (Grupo A). A cardite ocorre em cerca de 40-50% dos casos agudos e é a única manifestação que pode deixar sequelas permanentes ou levar ao óbito na fase aguda. O sopro holossistólico de insuficiência mitral pode vir acompanhado de um sopro diastólico suave no ápice (sopro de Carey-Coombs), indicando valvulite mitral grave. O reconhecimento desses sinais semiológicos permite o início rápido de corticoterapia e medidas de suporte hemodinâmico, essenciais para minimizar o dano valvar.
O sopro típico da insuficiência mitral por cardite reumática aguda é holossistólico (ocupa toda a sístole), de alta frequência (agudo) e melhor auscultado no foco mitral (ápice cardíaco). Uma característica fundamental para diferenciá-lo de sopros inocentes é sua irradiação para a axila esquerda. Ele reflete a regurgitação do sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo devido à inflamação e deformidade dos folhetos valvares e do aparelho subvalvar causadas pela reação autoimune pós-estreptocócica.
Sopros inocentes são geralmente sistólicos precoces ou médios, de baixa intensidade (grau I-II/VI), mudam de intensidade com a posição do corpo e não se irradiam. Já os sopros patológicos, como os da Febre Reumática, costumam ser holossistólicos ou diastólicos, de maior intensidade, associados a frêmitos, cliques ou alterações de bulhas, e frequentemente vêm acompanhados de sintomas como fadiga, dispneia ou sinais de insuficiência cardíaca congestiva.
A cardite é um dos critérios maiores de Jones para o diagnóstico de Febre Reumática. Ela pode ser clínica (detectada pelo sopro patológico no exame físico) ou subclínica (detectada apenas pelo ecocardiograma com Doppler mostrando valvulite). A identificação precoce da cardite é vital, pois define o prognóstico a longo prazo do paciente e a necessidade de profilaxia secundária rigorosa com Penicilina Benzatina para prevenir novos surtos e o agravamento da cardiopatia reumática crônica.
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