Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2025
Qual é o tratamento adequado para um adolescente de 13 anos que manifesta quadro de taquicardia associada a sopro sistólico em foco mitral e diastólico em foco aórtico, concomitantemente a aumento de volume, dor incapacitante e calor em joelho esquerdo, que migrou para tornozelo do mesmo lado e posteriormente para quadril direito?
Cardite + poliartrite migratória em adolescente → Febre Reumática; tratar com penicilina e corticoide.
O quadro clínico de cardite (sopros) e poliartrite migratória em um adolescente é altamente sugestivo de Febre Reumática Aguda. O tratamento envolve erradicação do estreptococo (penicilina), controle da inflamação (corticoide para cardite e artrite grave) e profilaxia secundária para prevenir recorrências.
A Febre Reumática Aguda (FRA) é uma doença inflamatória sistêmica que ocorre como uma complicação não supurativa de uma infecção de orofaringe por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É mais comum em crianças e adolescentes, com pico de incidência entre 5 e 15 anos. A importância clínica reside no seu potencial de causar lesões cardíacas permanentes, conhecidas como doença cardíaca reumática, que é uma das principais causas de valvulopatia adquirida no mundo. A fisiopatologia envolve uma reação autoimune desencadeada por mimetismo molecular entre antígenos estreptocócicos e tecidos do hospedeiro, afetando principalmente o coração, articulações, cérebro e pele. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones modificados, que incluem manifestações maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, nódulos subcutâneos, eritema marginado) e menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevados, prolongamento PR). A suspeita deve ser alta em pacientes jovens com história de infecção de garganta e sintomas sistêmicos. O tratamento da FRA visa erradicar o estreptococo, controlar a inflamação e prevenir recorrências. A penicilina G benzatina é a droga de escolha para erradicação e profilaxia secundária, administrada a cada 21 dias por anos ou por toda a vida, dependendo da presença de cardite. Para controlar a inflamação, corticoides sistêmicos (como prednisona) são indicados em casos de cardite e artrite grave, enquanto AINEs podem ser usados para artrite leve. O repouso é fundamental, especialmente na fase aguda da cardite.
Os critérios maiores incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, nódulos subcutâneos e eritema marginado. Os critérios menores são febre, artralgia, elevação de VHS/PCR e prolongamento do intervalo PR no ECG. O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia mais dois critérios maiores ou um maior e dois menores.
A penicilina G benzatina é essencial para erradicar o Streptococcus pyogenes da orofaringe, prevenindo novas infecções e, mais importante, para a profilaxia secundária, que impede recorrências da febre reumática e a progressão da doença cardíaca reumática.
A cardite reumática pode se manifestar como taquicardia, sopros (mitral e aórtico), cardiomegalia e insuficiência cardíaca. O tratamento envolve repouso, corticoide sistêmico (como prednisona) para reduzir a inflamação e, em casos graves, pode ser necessário diuréticos e outros suportes para insuficiência cardíaca.
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