Febre Reumática: Diagnóstico e Conduta Inicial na Infância

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Menina, 6 anos de idade, previamente hígida, sem alergias, apresenta dor e edema nos joelhos e tornozelos há cerca de uma semana, acompanhados de hiperemia local e dificuldade para caminhar. A dor articular é migratória, iniciando‐se em um joelho e depois de alguns dias, passando para o tornozelo contralateral. Os pais da paciente relataram febre diária e queixa de cansaço. Há três semanas antes do início dos sintomas, teve um quadro de dor de garganta e febre, mas não recebeu atendimento médico e melhorou espontaneamente. Exame físico: bom estado geral, hipocorada +/4+, febril, ausculta cardíaca com sopro sistólico em foco mitral (2+/4+), articulações com edema, eritema e dor ao se movimentar, principalmente nos joelhos e nos tornozelos, pele sem erupções cutâneas. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial adequada:

Alternativas

  1. A) Prescrever penicilina benzatina, anti‐inflamatório não esteroidal e acompanhamento cardiológico.
  2. B) Prescrever penicilina benzatina, imunoglobulina endovenosa e acompanhamento cardiológico.
  3. C) Prescrever azitromicina, imunoglobulina endovenosa e acompanhamento cardiológico.
  4. D) Prescrever azitromicina, anti-inflamatório não esteroidal e acompanhamento cardiológico. E) Prescrever azitromicina, corticoide e acompanhamento cardiológico.

Pérola Clínica

Artrite migratória + Cardite + Faringite prévia = Febre Reumática. Conduta: Penicilina G Benzatina + AINE.

Resumo-Chave

O tratamento da Febre Reumática Aguda exige a erradicação do estreptococo com penicilina e o controle inflamatório da artrite com salicilatos ou outros AINEs.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) continua sendo uma causa importante de cardiopatia adquirida em crianças em países em desenvolvimento. O quadro clínico clássico envolve uma criança em idade escolar com história de faringite não tratada que evolui com poliartrite migratória de grandes articulações. A cardite, manifestada por sopros (frequentemente insuficiência mitral), é a complicação mais grave. A conduta inicial foca em três pilares: 1) Erradicação do estreptococo (Penicilina G Benzatina); 2) Tratamento sintomático da artrite (AINEs); 3) Avaliação e acompanhamento da cardite. A profilaxia secundária deve ser iniciada imediatamente para evitar danos cardíacos cumulativos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Jones para o diagnóstico de Febre Reumática?

Para o primeiro surto em populações de médio/alto risco, o diagnóstico requer 2 critérios maiores OU 1 maior e 2 menores, além de evidência de infecção estreptocócica prévia. Critérios Maiores: Cardite, Artrite (poliartrite migratória ou monoartrite/poliartralgia em alto risco), Coreia de Sydenham, Eritema Marginado e Nódulos Subcutâneos. Critérios Menores: Febre, Artralgia, aumento de provas de fase aguda (VHS/PCR) e prolongamento do intervalo PR no ECG.

Por que usar Penicilina Benzatina se a dor de garganta já resolveu?

A Febre Reumática é uma resposta autoimune desencadeada pelo Streptococcus pyogenes. Mesmo que os sintomas da faringoamigdalite tenham desaparecido, a erradicação completa de qualquer foco remanescente da bactéria é essencial para cessar o estímulo antigênico que mantém a resposta inflamatória sistêmica e para iniciar a profilaxia secundária, prevenindo novos surtos que poderiam agravar as lesões valvares.

Qual o papel dos AINEs e corticoides no tratamento?

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como a aspirina ou naproxeno, são a primeira linha para o tratamento da artrite, apresentando resposta dramática em 24-48 horas. Os corticoides (prednisona) são reservados para casos de cardite moderada a grave ou quando há insuficiência cardíaca, visando reduzir a inflamação miocárdica e valvar mais rapidamente.

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