UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Menina de 12 anos foi trazida pela mãe à Emergência por dor articular e cansaço. Relatou a ocorrência de dor sequencial no joelho direito, tornozelo esquerdo, tornozelo direito, cotovelo esquerdo e punhos bilateralmente na última semana e de dispneia há 2 dias. Descreveu episódio de “dor de garganta” há 3 semanas. Ao exame físico, encontrava-se febril (38,5o C), com artrite nos sítios referidos, rash no tronco com margens eritematosas circulares e centro pálido e sopro sistólico em foco mitral com irradiação axilar. Em relação à principal hipótese diagnóstica, assinale a assertiva correta.
Febre Reumática: Artrite migratória + cardite + eritema marginado + história de faringite → Critérios de Jones.
O quadro clínico da menina de 12 anos, com artrite migratória, cardite (sopro mitral), eritema marginado e história prévia de faringite, é altamente sugestivo de Febre Reumática Aguda. A pesquisa de anticorpos antiestreptocócicos (ASLO, Anti-DNAse B) é mais sensível que a cultura de orofaringe para evidenciar infecção prévia, especialmente após 3 semanas.
A Febre Reumática Aguda (FRA) é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que ocorre como complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Afeta principalmente crianças e adolescentes, sendo uma das principais causas de doença cardíaca adquirida em jovens no mundo. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado da faringite estreptocócica são cruciais para prevenir a FRA. O diagnóstico da FRA é clínico e baseado nos Critérios de Jones modificados, que incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do intervalo PR no ECG). É essencial haver evidência de infecção estreptocócica prévia, que pode ser confirmada por cultura de orofaringe positiva ou, mais comumente, por títulos elevados de anticorpos antiestreptocócicos como ASLO e Anti-DNAse B. O tratamento da FRA visa erradicar o estreptococo, controlar a inflamação e prevenir a recorrência. Antibióticos como a penicilina benzatina são usados para erradicar a bactéria. Anti-inflamatórios (salicilatos, corticosteroides) são empregados para controlar a artrite e a cardite. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é fundamental para prevenir novos surtos e o agravamento da doença cardíaca reumática, que é a complicação mais grave e duradoura da FRA.
Os critérios maiores de Jones incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. A presença de dois critérios maiores ou um maior e dois menores, com evidência de infecção estreptocócica prévia, confirma o diagnóstico.
A Febre Reumática é uma complicação tardia da infecção por Streptococcus pyogenes. No momento do diagnóstico, a bactéria pode já ter sido erradicada da orofaringe, tornando a cultura negativa. Os títulos de anticorpos antiestreptocócicos (ASLO, Anti-DNAse B) permanecem elevados por mais tempo, indicando uma infecção prévia.
A cardite reumática é a manifestação mais grave e pode afetar o pericárdio, miocárdio e endocárdio. As valvulopatias são as sequelas mais importantes, sendo a estenose mitral e a insuficiência aórtica as mais frequentes, manifestando-se como sopros cardíacos.
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