SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020
Adolescente de 13 anos, masculino, previamente hígido, queixa-se de febre há 10 dias associada à dor em joelho direito e punho esquerdo. Há 24 horas, vem apresentando tosse seca e falta de ar. Relata que, há 3 semanas, apresentou dor de garganta e ficou bem com o uso de ibuprofeno. Dados positivos do exame físico: dor à mobilização do joelho direito e do punho esquerdo, sem limitação na amplitude do movimento, nem calor ou hiperemia local. Aparelho respiratório com estertores finos em bases e FR: 40irpm. Aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular em 3 tempos, frêmito palpável em foco mitral e sopro holosistólico (4+/6+) em foco mitral com irradiação para axila, FC: 120bpm, PA: 110x70mmHg, pulsos cheios, extremidades aquecidas. Abdome: fígado palpável a 3 cm do rebordo costal direito. Qual a melhor combinação de exames complementares e tratamento inicial para o caso dentre as alternativas abaixo?
FRA com cardite grave → Prednisona + Furosemida + exames completos (ASO, PCR, VHS, Rx, ECG, Eco).
O quadro clínico de artrite migratória, febre e sinais de cardite (sopro, IC) em adolescente após faringite sugere fortemente Febre Reumática Aguda. A investigação deve incluir marcadores inflamatórios, sorologia para estreptococo e avaliação cardíaca completa. O tratamento inicial foca em controlar a inflamação e a insuficiência cardíaca.
A Febre Reumática Aguda (FRA) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Afeta principalmente crianças e adolescentes em países em desenvolvimento, sendo uma das principais causas de doença cardíaca adquirida na infância. A cardite reumática é a manifestação mais grave, podendo levar a danos valvares permanentes e insuficiência cardíaca. O diagnóstico da FRA baseia-se nos Critérios de Jones, que combinam evidências de infecção estreptocócica recente com manifestações clínicas maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevados, PR prolongado). A presença de cardite, como no caso, é um critério maior e exige atenção imediata. Exames como ASO, PCR, VHS, ECG, Rx de tórax e ecocardiograma são fundamentais para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do acometimento. O tratamento da FRA visa erradicar o estreptococo (penicilina), controlar a inflamação e manejar as complicações. Para cardite grave, corticosteroides como a prednisona são a base do tratamento anti-inflamatório. Diuréticos como a furosemida são essenciais para controlar os sintomas de insuficiência cardíaca, como a congestão pulmonar. O acompanhamento cardiológico é crucial para monitorar a evolução da doença valvar.
Os Critérios de Jones revisados incluem evidência de infecção estreptocócica recente e a presença de dois critérios maiores (cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) ou um maior e dois menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevados, PR prolongado).
A prednisona é um corticosteroide potente que atua reduzindo a inflamação sistêmica, especialmente a cardite, que é a manifestação mais grave da Febre Reumática Aguda, prevenindo ou minimizando o dano valvar.
Além da sorologia para estreptococo (ASO, anti-DNase B), são cruciais exames inflamatórios (PCR, VHS), eletrocardiograma e ecocardiograma para avaliar a presença e gravidade da cardite.
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