FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2021
Adolescente de 13 anos, hígida, apresentou dor em joelho direito há 3 semanas por 5 dias com resolução espontânea e tem no momento dor no tornozelo esquerdo, associado a febre, exantema eritemato-papularserpinginoso no tronco e sopro cardíaco sistólico 4+/6+ em foco mitral. Baseado no quadro clínico acima, qual é o diagnóstico correto?
Adolescente com poliartrite migratória, febre, exantema serpiginoso e sopro mitral = Febre Reumática.
O quadro clínico de uma adolescente com poliartrite migratória, febre, exantema eritemato-papular serpiginoso (eritema marginado) e sopro cardíaco sistólico em foco mitral (sugestivo de cardite) é altamente compatível com Febre Reumática, especialmente após um histórico de infecção estreptocócica prévia (dor no joelho com resolução espontânea pode ser um pródromo).
A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica aguda, não supurativa, que ocorre como complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma condição grave, especialmente em crianças e adolescentes, devido ao potencial de causar danos cardíacos permanentes (cardite reumática). O diagnóstico precoce e a profilaxia são cruciais para prevenir a doença cardíaca reumática crônica. O diagnóstico da FR é clínico e baseia-se nos Critérios de Jones, que combinam manifestações maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevados, prolongamento do intervalo PR no ECG), juntamente com evidência de infecção estreptocócica prévia (cultura de orofaringe positiva, teste rápido de antígeno positivo ou elevação/aumento dos títulos de antiestreptolisina O - ASLO). O caso descrito apresenta poliartrite migratória (dor em joelho e tornozelo), febre, eritema marginado (exantema eritemato-papular serpiginoso) e cardite (sopro sistólico mitral), preenchendo múltiplos critérios maiores. O tratamento da FR visa erradicar o estreptococo (se ainda presente), controlar a inflamação e prevenir recorrências. Antibióticos como penicilina são usados para erradicação. Anti-inflamatórios (salicilatos, corticosteroides) controlam os sintomas. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é fundamental para prevenir novos episódios e a progressão da doença cardíaca. A educação sobre a importância do tratamento da faringite estreptocócica é vital para a prevenção primária.
Os Critérios de Jones incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e critérios menores (febre, artralgia, aumento de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG). O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia.
O sopro cardíaco na Febre Reumática é um sinal de cardite, um dos critérios maiores de Jones e a manifestação mais grave da doença, pois pode levar a valvopatias crônicas. O sopro sistólico em foco mitral sugere insuficiência mitral.
A Febre Reumática é uma complicação não supurativa tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A resposta imune do hospedeiro contra o estreptococo, por mimetismo molecular, ataca tecidos próprios, como coração e articulações.
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