Tratamento da Febre Reumática: Manejo e Profilaxia

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Os objetivos do tratamento da febre reumática são reduzir o processo inflamatório, aliviar os sintomas, atenuar o dano cardíaco, além da erradicação da infecção estreptocócica e prevenção de recorrência; no seu manejo deve ser observado que:

Alternativas

  1. A) A terapia com anti-inflamatórios deve ser prescrita por oito semanas sem indicação de dosagem dos marcadores inflamatórios (VHS, PCR), pois eles permanecerão elevados independente da resposta clínica.
  2. B) Os glicocorticoides são recomendados para os casos de cardite moderada ou grave, pois controlam o processo inflamatório e melhoram a dor associada a pericardite, mas são contraindicados se houver coreia grave.
  3. C) Os salicilatos (AAS) eram tradicionalmente usados como primeira linha de tratamento. Atualmente, os anti-inflamatórios não-hormonais (como naproxeno) são mais usados pelo melhor perfil de segurança.
  4. D) A profilaxia secundária deve ser rigorosamente realizada com a aplicação de penicilina G benzatina a cada 21 dias até os 21 anos ou até 5 anos após o último surto (o que durar mais) nos pacientes com doença cardíaca.

Pérola Clínica

Naproxeno é preferido ao AAS na artrite da febre reumática pelo melhor perfil de segurança.

Resumo-Chave

O tratamento da febre reumática visa erradicar o estreptococo e controlar a inflamação. Atualmente, o naproxeno substituiu o AAS como primeira linha para artrite devido à menor toxicidade.

Contexto Educacional

A febre reumática é uma complicação não supurativa da faringoamigdalite pelo estreptococo do grupo A. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones (maiores: cardite, artrite, coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos). O manejo terapêutico evoluiu para priorizar a segurança do paciente. A erradicação do agente com penicilina é mandatória, mesmo que a faringite já tenha resolvido. O controle da artrite com naproxeno é eficaz e rápido, servindo inclusive como teste terapêutico em casos duvidosos.

Perguntas Frequentes

Qual a droga de escolha para a artrite na febre reumática?

Tradicionalmente utilizava-se o AAS (salicilatos), porém as diretrizes atuais, incluindo as brasileiras, recomendam o uso de anti-inflamatórios não-hormonais como o naproxeno. O naproxeno apresenta eficácia similar no controle da artrite migratória, mas com um perfil de segurança superior, especialmente em relação ao risco de síndrome de Reye e toxicidade gástrica em crianças.

Como é feita a profilaxia secundária da febre reumática?

A profilaxia secundária é fundamental para prevenir novos surtos e o agravamento de lesões valvares. O padrão-ouro é a Penicilina G Benzatina a cada 21 dias. A duração varia conforme o grau de acometimento cardíaco: sem cardite prévia, até os 21 anos ou 5 anos após o último surto; com cardite leve ou curada, até os 25 anos ou 10 anos após o último surto; com lesão valvar residual grave, até os 40 anos ou por toda a vida.

Quando usar corticoides na febre reumática?

Os glicocorticoides, como a prednisona, são indicados principalmente nos casos de cardite moderada a grave. Eles auxiliam no controle rápido do processo inflamatório miocárdico e pericárdico. No entanto, é importante notar que os corticoides não previnem a evolução para doença valvar crônica, servindo apenas para o controle da fase aguda inflamatória.

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