Febre Reumática em Escolares: Diagnóstico e Critérios de Jones

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Escolar de 8 anos, previamente hígido, há 4 dias apresenta febre 38,5 °C, uma vez ao dia, associado à dor e inchaço nos tornozelos e joelho esquerdo. Após dois dias houve melhora dos sintomas nessas articulações, porém, iniciou com dor no punho direito. Ao procurar o pronto socorro, apresentava-se em REG, hipoativo, corado, hidratado, afebril, frequência cardíaca de 132 bpm, frequência respiratória de 28 ipm, com edema em joelho esquerdo e dor e limitação no punho direito. A velocidade de hemossedimentação era de 80 mm na primeira hora e o hemograma e o raio-X das articulações acometidas não apresentam alterações. Qual a abordagem diagnóstica inicial seria adequada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Aspirado de medula óssea e LDH.
  2. B) Artrocentese do joelho esquerdo e hemocultura.
  3. C) Anticorpo antinúcleo e urina rotina.
  4. D) Antiestreptolisina O e ecocardiograma.

Pérola Clínica

Criança com artrite migratória + febre + VHS ↑ + taquicardia → Suspeita de Febre Reumática → Investigar ASLO e Ecocardiograma.

Resumo-Chave

O quadro de artrite migratória (dor e inchaço que 'saltam' de uma articulação para outra), febre, taquicardia e VHS elevado em um escolar é altamente sugestivo de Febre Reumática. A investigação deve focar na evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO) e no acometimento cardíaco (cardite), que é a complicação mais grave e avaliada pelo ecocardiograma.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que ocorre como complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). Afeta principalmente crianças e adolescentes, sendo caracterizada por uma resposta autoimune que pode acometer articulações, coração, cérebro, pele e tecido subcutâneo. O diagnóstico da FR é clínico, baseado nos Critérios de Jones (maiores e menores), associados à evidência de infecção estreptocócica recente (cultura de orofaringe positiva, teste rápido positivo ou elevação/ascensão dos títulos de ASLO ou anti-DNase B). A artrite migratória é um critério maior comum, mas a cardite é a manifestação mais grave e deve ser ativamente investigada. A abordagem diagnóstica inicial para um paciente com suspeita de FR, como o caso da questão, deve incluir a pesquisa de evidência de infecção estreptocócica recente (ASLO) e a avaliação do acometimento cardíaco através de um ecocardiograma. O tratamento visa erradicar o estreptococo, controlar a inflamação e prevenir a recorrência, que pode levar a danos cardíacos permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios maiores de Jones para Febre Reumática?

Os critérios maiores de Jones incluem cardite, artrite (poliartrite migratória), coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos.

Por que o ecocardiograma é fundamental na suspeita de Febre Reumática?

O ecocardiograma é fundamental para detectar a cardite reumática, que é a manifestação mais grave da doença e a principal causa de morbimortalidade a longo prazo, mesmo em pacientes assintomáticos ou com sopros discretos.

Qual a importância do ASLO no diagnóstico da Febre Reumática?

O ASLO (Antiestreptolisina O) é um exame que detecta anticorpos contra toxinas do Streptococcus pyogenes, fornecendo evidência de uma infecção estreptocócica recente, que é o gatilho para a Febre Reumática. Um ASLO elevado ou em ascensão apoia o diagnóstico.

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