UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Menor 12 anos, internado com quadro de adinamia, taquicardia ocasional e dispnéia aos esforços, com tiragem subcostal e intercostal. Mãe refere que a menor não consegue mais brincar com os primos, pois fica muito ”ofegante”, e quando isso acontecia, sentava-se na calçada para descansar. Refere que há 10 dias apresentou dor em joelho direito, sem relato concomitante com queda, edema e choro intenso quando tentava massagear, a dor se localizou em cotovelo esquerdo, e atualmente a criança refere a mesma dor em ombro direito, sem sinais de hiperemia, com edema, dor e limitação da movimentação. Nos Antecedentes Mórbidos Pessoais (AMP), mãe refere que a menor apresentou há 3 semanas quadro de odinofagia, prostração e febre elevada (39°C), impossibilitando ingesta de alimentos e líquidos, foi levada à UPA (apresentou na ocasião Hemograma com anemia discreta e Leucocitose sem desvio a esquerda/ VHS de 65 mm/ PCR de 21 mg/dl), sendo prescrito Sulfametoxazol-trimetropim e analgésicos, com melhora do quadro após 7 dias de uso; antes do quadro atual a criança era hígida. Quanto ao diagnóstico mais provável, a complicação, o agente etiológico e o tratamento indicado para o mesmo, marque a única alternativa correta.
Febre Reumática = Infecção por EBHA + Critérios de Jones (cardite, artrite migratória, coreia, nódulos, eritema).
O quadro clínico de poliartrite migratória em grandes articulações, associado a sintomas cardíacos (taquicardia, dispneia aos esforços) e antecedente de odinofagia (faringoamigdalite estreptocócica), é altamente sugestivo de Febre Reumática. A cardite é a complicação mais grave e o agente etiológico é o Streptococcus pyogenes.
A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar o coração, articulações, cérebro, pele e tecido subcutâneo, sendo uma complicação tardia e não supurativa de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A - EBHA). É uma condição de grande relevância em saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, devido ao seu potencial de causar cardiopatia reumática crônica. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune desencadeada por mimetismo molecular entre antígenos estreptocócicos e tecidos do hospedeiro. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones (maiores e menores), associado à evidência de infecção estreptocócica recente (cultura de orofaringe positiva, teste rápido positivo ou elevação de anti-estreptolisina O - ASO). A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar à insuficiência cardíaca e valvopatias crônicas. O tratamento da fase aguda visa erradicar o Streptococcus pyogenes (geralmente com Penicilina G Benzatina), controlar a inflamação (com anti-inflamatórios como AAS ou corticoides para cardite grave) e tratar a insuficiência cardíaca, se presente. A profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina é fundamental para prevenir recorrências e a progressão da doença cardíaca, devendo ser mantida por anos ou até a idade adulta, dependendo da presença de cardite.
Os critérios maiores de Jones incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. Os critérios menores são febre, artralgia, elevação de VHS/PCR e prolongamento do intervalo PR no ECG.
A profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina é crucial para prevenir novas infecções por Streptococcus pyogenes e, consequentemente, recorrências da Febre Reumática, que podem agravar a lesão cardíaca existente.
A cardite reumática pode se manifestar como taquicardia desproporcional à febre, sopros cardíacos novos ou alterados (especialmente de insuficiência mitral ou aórtica), cardiomegalia, pericardite e, em casos graves, insuficiência cardíaca congestiva.
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