Febre Reumática: Entenda as Manifestações e Sequela Cardíaca

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

A febre reumática (FR) é considerada uma doença autoimune pós infecciosa. Em relação à FR, podemos afirmar EXCETO:

Alternativas

  1. A) Possui incidência maior entre 4 e 9 anos sem predileção por sexo e idade
  2. B) Ocorre 2 a 3 semanas da infecção da orofaringe pela bactéria estreptococo betahemolítico do grupo A de Lancefield em indivíduos suscetíveis
  3. C) Sua forma aguda se caracteriza por febre, artrite, cardite, coréia, eritema marginado e nódulos subcutâneos
  4. D) A Coréia de Sydenham acomete mais o sexo feminino
  5. E) A cardiopatia reumática está presente na fase aguda

Pérola Clínica

Febre Reumática: Cardiopatia reumática é sequela crônica, não manifestação da fase aguda.

Resumo-Chave

A cardiopatia reumática é a sequela mais grave da febre reumática, resultando de danos inflamatórios repetidos às válvulas cardíacas. Ela se manifesta cronicamente, após a fase aguda da doença, e não como um sintoma agudo inicial.

Contexto Educacional

A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória autoimune que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, desenvolvendo-se como uma complicação não supurativa de uma infecção de orofaringe pelo Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (EBHGA). É mais comum em crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos, com alta prevalência em países em desenvolvimento devido à dificuldade de acesso a tratamento adequado para faringites estreptocócicas. A compreensão de sua fisiopatologia e manifestações é crucial para a prevenção de sequelas graves. A fisiopatologia envolve uma resposta imune cruzada, onde anticorpos produzidos contra antígenos do EBHGA reagem com tecidos do próprio hospedeiro (mimetismo molecular), especialmente no coração. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones, que combinam manifestações maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG), além da evidência de infecção estreptocócica prévia. A suspeita deve ser alta em pacientes jovens com faringite recente e sintomas sistêmicos. O tratamento da fase aguda visa controlar a inflamação e erradicar o estreptococo, geralmente com penicilina. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é fundamental para prevenir novos episódios e, consequentemente, a progressão da cardiopatia reumática, que é a sequela mais grave e crônica da doença, caracterizada por lesões valvares permanentes. O prognóstico está diretamente ligado à ocorrência e gravidade da cardite e à adesão à profilaxia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para febre reumática?

Os critérios de Jones são usados para o diagnóstico, incluindo critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR). É necessária evidência de infecção estreptocócica prévia.

Como a cardiopatia reumática se diferencia da cardite aguda?

A cardite é uma manifestação inflamatória aguda do coração durante a febre reumática, que pode levar a disfunção valvar temporária. A cardiopatia reumática, por outro lado, é a sequela crônica e permanente de dano valvar, geralmente mitral ou aórtico, que se desenvolve após episódios repetidos de febre reumática.

Qual o papel do Estreptococo beta-hemolítico do grupo A na febre reumática?

O Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes) é o gatilho da febre reumática. A doença é uma resposta autoimune que ocorre 2-3 semanas após uma faringite não tratada por essa bactéria em indivíduos geneticamente suscetíveis.

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