Febre Reumática: Manejo da Profilaxia Secundária

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Adolescente de 12 anos com história de poliartrite e cardite foi diagnosticado como portador de febre reumática há cerca de três anos. Faz profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias, conforme orientação de seu médico, e é reavaliado pelo mesmo a cada seis meses. Na última consulta, há cerca de três semanas atrás, estava assintomático e seus exames complementares mostravam hemograma e proteína C reativa normais, antiestreptolisina O aumentada (500 UI; normal até 200 UI) e o ecocardiograma mostrava aspecto de insuficiência mitral leve a moderada, igual ao exame realizado um ano antes. Qual a conduta a ser tomada neste caso?

Alternativas

  1. A) Tranquilizar a família e manter a conduta.
  2. B) Aumentar a dose de penicilina benzatina.
  3. C) Prescrever penicilina benzatina a cada 15 dias.
  4. D) Aumentar a dose de penicilina benzatina e aplicá-la a cada 15 dias. 

Pérola Clínica

ASO aumentado sem clínica de FR ativa e cardite estável → manter profilaxia secundária.

Resumo-Chave

Um ASO aumentado isoladamente, sem sinais clínicos de atividade reumática (poliartrite, cardite, etc.) e com exames inflamatórios (PCR) normais, não indica reativação da febre reumática nem a necessidade de modificar a profilaxia secundária. A cardite leve a moderada estável também não justifica alteração.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele, sendo uma complicação tardia de uma infecção de garganta por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). A profilaxia secundária é fundamental para prevenir novas crises de FR e a progressão da doença cardíaca reumática, sendo a penicilina benzatina a droga de escolha. A duração da profilaxia secundária varia conforme a apresentação clínica inicial, sendo mais longa em pacientes com cardite residual. No caso apresentado, o paciente tem cardite leve a moderada, o que indica a necessidade de profilaxia prolongada. Um título elevado de Anti-estreptolisina O (ASO) indica exposição prévia ao estreptococo, mas não necessariamente uma infecção ativa ou reativação da FR, especialmente se o paciente estiver assintomático e com outros marcadores inflamatórios (como PCR) normais. A conduta deve ser baseada no quadro clínico geral, e não em um único exame laboratorial isolado. A estabilidade da lesão valvar no ecocardiograma e a ausência de sintomas de atividade reumática confirmam que a profilaxia atual é adequada e não há necessidade de intensificá-la. A adesão à profilaxia é o fator mais importante para o bom prognóstico.

Perguntas Frequentes

Qual a duração da profilaxia secundária para febre reumática com cardite?

A duração da profilaxia secundária para febre reumática com cardite residual é prolongada, geralmente até os 40 anos de idade ou por toda a vida em casos de doença valvar grave ou cirurgia de troca valvar, para prevenir novas crises e a progressão da doença cardíaca reumática.

Um ASO aumentado sempre indica reativação da febre reumática?

Não, um título de Anti-estreptolisina O (ASO) aumentado indica exposição prévia ao Streptococcus pyogenes, mas não necessariamente uma infecção ativa ou reativação da febre reumática. A interpretação deve ser feita no contexto clínico, considerando a presença de sintomas e outros marcadores inflamatórios como a Proteína C Reativa (PCR).

Quando ajustar a dose ou frequência da penicilina benzatina na FR?

A dose e frequência da penicilina benzatina na profilaxia secundária da febre reumática são padronizadas (geralmente a cada 21 dias). Ajustes não são indicados com base em exames isolados como o ASO, mas sim em caso de falha da profilaxia (novas crises de FR) ou em situações específicas de alto risco, sempre sob orientação médica.

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