SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Uma jovem de 18 anos de idade, queixou-se de febre e dores e inchaço nos joelhos e que migraram para os tornozelos há 5 dias. Relata que aos 10 anos de idade teve um quadro semelhante a esse e melhorou espontaneamente e nunca tinha sido diagnosticada com febre reumática e nem tampouco fazia profilaxia com penicilina. Em ambas as situações relata que apresentou quadro de amigdalite duas a três semanas antes do quadro febril e articular iniciarem. Procurou a UPA pela artralgia e a febre, e ao exame físico apresenta estado geral regular, febril com temperatura axilar de 38,9 °C); aparelho cardiovascular com FC de 131 bpm, persistente e ainda sopro de regurgitação mitral intenso. O ECG apresentou alterações de segmento ST-T, baixa voltagem e prolongamento dos intervalos PR e QTc. Membroso inferiores com edema e dor a mobilização das articulações dos joelhos e tornozelos e ausência de eritema nodoso e de nódulos subcutâneos. Levando-se em consideração os critérios de de Jones modificados e o quadro clinico, a paciente é classificada como:
Febre Reumática Recorrente → Cardite + Artrite + Evidência de estreptococo + Critérios menores (febre, PR prolongado).
A paciente preenche critérios para recorrência de febre reumática: evidência de infecção estreptocócica prévia (amigdalite), cardite (sopro mitral, alterações ECG) como critério maior, e artrite (migratória) como outro critério maior. Além disso, a febre e o prolongamento do PR no ECG são critérios menores, reforçando o diagnóstico. A doença cardíaca reumática já está estabelecida.
A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como sequela de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). É uma condição de grande importância na saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, devido ao seu potencial de causar doença cardíaca reumática (DCR) crônica e incapacitante. O diagnóstico baseia-se nos critérios de Jones modificados. Os critérios de Jones incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, FR prévia, VHS/PCR elevados, prolongamento do intervalo PR no ECG). Para o diagnóstico de um primeiro episódio, são necessários dois critérios maiores ou um maior e dois menores, além de evidência de infecção estreptocócica prévia. No caso de recorrência, como o da paciente, a presença de cardite ou coreia isoladamente, ou um critério maior e um menor, ou dois critérios menores, juntamente com evidência de infecção estreptocócica prévia, pode ser suficiente. A paciente apresenta cardite (sopro mitral intenso, alterações ECG), artrite migratória (critérios maiores), febre e PR prolongado (critérios menores), além de história de amigdalite prévia e quadro semelhante aos 10 anos, configurando uma recorrência com DCR estabelecida.
Os critérios maiores são cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos.
Pode ser por cultura de orofaringe positiva para Streptococcus pyogenes, teste rápido de antígeno positivo ou elevação/aumento dos títulos de anticorpos antiestreptocócicos (ASLO, anti-DNAse B).
Para um primeiro episódio, são necessários dois critérios maiores ou um maior e dois menores, mais evidência de infecção estreptocócica. Para recorrência, a presença de cardite ou coreia isoladamente, ou um menor e evidência de estreptococo, pode ser suficiente em pacientes com febre reumática prévia.
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