UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Menina, 7 anos de idade, apresentou artrite em joelho direito há 20 dias com duração de 3 dias, em tornozelo esquerdo há 15 dias com duração de 4 dias e em cotovelo esquerdo há 10 dias com duração de 3 dias. Exame físico: sem sinais de artrite ou outras alterações significativas. A ausculta torácica é normal. Qual é a necessidade de solicitar um ecocardiograma neste caso?
Artrite migratória + história de faringite → suspeitar Febre Reumática; ecocardiograma é essencial para cardite subclínica.
A paciente apresenta artrite migratória, um dos critérios maiores de Jones para Febre Reumática. Mesmo sem sinais clínicos de cardite (ausculta normal), a cardite subclínica é comum e pode ser detectada apenas pelo ecocardiograma. A detecção precoce é vital para prevenir sequelas cardíacas graves.
A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica que pode ocorrer após uma infecção por Streptococcus pyogenes. Afeta principalmente crianças e adolescentes, com manifestações que incluem artrite, cardite, coreia, eritema marginado e nódulos subcutâneos. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar a doença cardíaca reumática crônica. O diagnóstico da FR é baseado nos Critérios de Jones, que incluem critérios maiores e menores, além da evidência de infecção estreptocócica recente. A artrite migratória, como a apresentada pela paciente, é um critério maior. É crucial entender que a ausculta cardíaca normal não exclui cardite, pois a cardite subclínica (valvulite detectada apenas por ecocardiograma) é comum e tem o mesmo prognóstico que a cardite clinicamente manifesta. Portanto, em qualquer caso suspeito de FR, o ecocardiograma é mandatório para avaliar a presença de cardite, mesmo na ausência de sopros. A detecção precoce permite o início da profilaxia secundária com penicilina, prevenindo novos surtos e a progressão da doença cardíaca, que é a principal causa de morbimortalidade a longo prazo.
Os critérios maiores de Jones incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos, utilizados para o diagnóstico da Febre Reumática.
O ecocardiograma pode detectar cardite subclínica (valvulite sem manifestações clínicas), que é comum e pode evoluir para doença cardíaca reumática crônica se não tratada, mesmo na ausência de sopros audíveis.
A Febre Reumática é uma complicação não supurativa de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A), que desencadeia uma resposta autoimune.
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