Febre Reumática: Critérios de Jones e Diagnóstico Clínico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Escolar com história de febre e tonsilite há três semanas, com resolução espontânea. Retorna referindo edema e dor articular, inicialmente em joelho e depois em cotovelos, e reaparecimento da febre (39°C). Exames: Teste rápido para Streptococcus beta hemolítico do grupo A (orofaringe) = negativo; ASLO = 400 UI/ml. Neste caso, é possível confirmar o diagnóstico de febre reumática se for observado:

Alternativas

  1. A) Aumento do intervalo PR ao eletrocardiograma.
  2. B) Aumento do intervalo QT corrigido ao eletrocardiograma.
  3. C) Derrame pericárdico ao ecocardiograma.
  4. D) Estenose pulmonar ao ecocardiograma.

Pérola Clínica

Diagnóstico de Febre Reumática = 2 Maiores ou 1 Maior + 2 Menores + evidência de infecção estreptocócica prévia.

Resumo-Chave

O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Jones. A presença de cardite (mesmo subclínica ao eco) é critério maior, enquanto febre e aumento do intervalo PR são critérios menores.

Contexto Educacional

A Febre Reumática (FR) é uma complicação não supurativa da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes. A fisiopatologia envolve mimetismo molecular, onde anticorpos contra a bactéria reagem cruzadamente com tecidos do hospedeiro, especialmente coração, articulações e cérebro. O diagnóstico é eminentemente clínico, apoiado pelos Critérios de Jones, revisados pela última vez em 2015 pela AHA. Na prática clínica, a artrite é a manifestação mais comum, tipicamente migratória e de grandes articulações, com resposta dramática a salicilatos. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar à insuficiência cardíaca aguda ou sequelas valvares crônicas (principalmente estenose mitral). O tratamento foca na erradicação do estreptococo, controle da inflamação e profilaxia secundária com Penicilina G Benzatina para evitar novos surtos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores de Jones?

Os critérios maiores incluem: Cardite (clínica ou subclínica detectada pelo ecocardiograma), Artrite (poliartrite migratória em populações de baixo risco ou monoartrite/poliartralgia em alto risco), Coreia de Sydenham, Eritema marginado e Nódulos subcutâneos. A presença de dois destes, associada à evidência de infecção estreptocócica prévia (como ASLO elevado), confirma o diagnóstico do primeiro surto de febre reumática.

O que mudou na revisão de 2015 dos Critérios de Jones?

A principal mudança foi a estratificação entre populações de baixo risco e de moderado/alto risco. Além disso, a cardite subclínica (detectada apenas pelo ecocardiograma com Doppler, sem sopro audível) passou a ser aceita como critério maior, permitindo o diagnóstico precoce de valvulite reumática mesmo em pacientes sem sintomas cardíacos exuberantes no exame físico inicial.

Como interpretar o intervalo PR no contexto da Febre Reumática?

O prolongamento do intervalo PR no eletrocardiograma é considerado um critério menor de Jones. No entanto, ele não pode ser utilizado como critério menor se a cardite já estiver sendo utilizada como critério maior. É um achado comum que reflete o acometimento do sistema de condução cardíaco pela inflamação sistêmica da doença, mas não indica necessariamente sequela valvar permanente.

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