INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um adolescente, com 15 anos de idade, procurou a Unidade de Pronto Atendimento relatando febre e dores que começaram nos joelhos, mas já atingem os tornozelos. Apresentou quadro de amigdalite purulenta há três semanas. Ele relatou, também, que teve diagnóstico de febre reumática há três anos, mas não está usando a penicilina benzatina prescrita. Ao exame físico: febril (T = 38,7°C); ausculta cardíaca: taquicardia persistente e sopro de regurgitação mitral intenso, associado a sopro aórtico diastólico. O ECG mostrou extrassístoles, alterações de ST-T, baixa voltagem e prolongamento dos intervalos PR e QTc. Considerando os Critérios de Jones modificados e o quadro descrito, o paciente:
Recorrência de Febre Reumática = RHD prévia + 2 critérios menores + evidência de estreptococo.
O diagnóstico de recorrência da Febre Reumática em pacientes com doença cardíaca estabelecida é simplificado, exigindo apenas critérios menores se houver evidência de infecção estreptocócica recente.
A Febre Reumática (FR) é uma complicação não supurativa da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes. A patogênese envolve mimetismo molecular entre antígenos bacterianos e tecidos do hospedeiro. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar a sequelas valvares crônicas, principalmente estenose ou insuficiência mitral. No caso descrito, o paciente tem história prévia de FR e não adere à profilaxia com penicilina benzatina. Ele apresenta novos sintomas (febre, poliartrite migratória) e sinais de cardite (novos sopros e alterações eletrocardiográficas). Segundo os critérios de Jones revisados pela AHA em 2015, em pacientes com doença cardíaca reumática prévia, a presença de dois critérios menores com evidência de infecção estreptocócica é suficiente para o diagnóstico de recorrência.
Os critérios maiores de Jones (mnemônico JONES) são: J (Joints - Poliartrite migratória), O (Coração - Cardite), N (Nódulos subcutâneos), E (Eritema marginado) e S (Sydenham - Coreia). Na população de alto risco, a artralgia pode ser considerada critério maior em casos específicos, mas a poliartrite continua sendo o padrão.
Para pacientes com Doença Cardíaca Reumática (RHD) estabelecida, a recorrência pode ser diagnosticada com a presença de dois critérios menores (como febre, artralgia, VHS/PCR elevados ou prolongamento do intervalo PR) associados à evidência de infecção estreptocócica prévia (ASLO elevado ou cultura de orofaringe positiva).
O prolongamento do intervalo PR (bloqueio atrioventricular de primeiro grau) é um critério menor de Jones. Ele reflete o envolvimento do sistema de condução cardíaco pelo processo inflamatório da febre reumática. É importante notar que, se a cardite já for usada como critério maior, o intervalo PR não pode ser contado como critério menor adicional.
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