INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Menino com 12 anos de idade é trazido pelo pai ao Ambulatório de Pediatria. Na história apresenta febre e dor intensa nas articulações do joelho há uma semana, a qual passou a acometer cotovelos e punhos. Há três semanas apresentou infecção de garganta (sic) tratada com amoxicilina. Ao exame, apresenta temperatura axilar = 38.4°C; frequência cardíaca = 132 bpm; estado geral comprometido; dispneia leve que piora com o decúbito. A ausculta cardíaca mostra sopro holossistólico, de média intensidade, mais audível em ápice, irradiando-se para a axila; 3ª bulha audível. Diante do quadro de alta suspeita diagnóstica de febre reumática, qual a medicação a ser prescrita nesse momento?
Cardite reumática com repercussão (insuficiência cardíaca/cardiomegalia) → Corticoide (Prednisona) é a escolha.
A febre reumática com evidência de cardite moderada a grave (dispneia, sopro de regurgitação, taquicardia desproporcional) deve ser tratada com corticosteroides para controle da inflamação miocárdica.
A febre reumática é uma sequela não supurativa da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar a sequelas valvares crônicas. O caso clínico descreve um menino com poliartrite migratória e sinais claros de cardite (taquicardia, dispneia e sopro de insuficiência mitral). O manejo terapêutico visa a erradicação do estreptococo (penicilina benzatina) e o controle da resposta inflamatória. Em situações de cardite com repercussão, o uso de prednisona é mandatório para reduzir a morbidade aguda, seguido por um desmame gradual para evitar o efeito rebote inflamatório.
Os corticosteroides (geralmente prednisona 1-2 mg/kg/dia) estão indicados nos casos de cardite moderada ou grave. Sinais de gravidade incluem insuficiência cardíaca clínica, cardiomegalia ao raio-X ou sopros de regurgitação valvar importantes (como a insuficiência mitral evidenciada pelo sopro holossistólico no ápice).
O Ácido Acetilsalicílico (AAS) é o tratamento de escolha para a artrite (poliartrite migratória) e para casos de cardite leve sem cardiomegalia. Já a Prednisona é reservada para suprimir a inflamação cardíaca mais intensa que ameaça a função hemodinâmica do paciente.
O diagnóstico baseia-se nos Critérios de Jones. Clinicamente, manifesta-se por taquicardia persistente (mesmo durante o sono), novos sopros cardíacos (insuficiência mitral ou aórtica), atrito pericárdico ou sinais de insuficiência cardíaca congestiva em um contexto de infecção estreptocócica prévia.
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