Febre Reumática: Diagnóstico pelos Critérios de Jones

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Menina de 9 anos de idade apresentando há 10 dias artrite do tipo migratória, em grandes articulações. Há relato de febre episódica e de amigdalite purulenta duas semanas antes do início do quadro articular. A criança foi avaliada pelo pediatra, que durante o exame clínico, constatou a presença de um sopro holossistólico em foco mitral, irradiando para a axila. Foram solicitados alguns exames: Ecocardiograma (relato verbal) – problema importante em valva mitral; Cultura de orofaringe positiva para Estreptococo beta hemolítico do grupo A (EBHGA); Níveis de anticorpos antiestreptolisina O (ASLO) aumentados Com base no exposto e nos critérios de Jones modificados para o diagnóstico de febre reumática, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O caso descrito é de alta probabilidade diagnóstica de febre reumática, pois apresenta um sinal maior e dois sinais menores, além da comprovação de infecção prévia por EBHGA.
  2. B) O caso descrito é de alta probabilidade diagnóstica de febre reumática, pois apresenta dois sinais maiores além da comprovação de infecção prévia por EBHGA.
  3. C) O caso descrito é de baixa probabilidade diagnóstica de febre reumática, pois não apresenta o mais importante sinal: coreia independente da comprovação de infecção prévia por EBHGA.
  4. D) O caso descrito é de baixa probabilidade diagnóstica de febre reumática, pois apresenta apenas um sinal maior e um sinal menor independente da comprovação de infecção prévia por EBHGA.

Pérola Clínica

Febre Reumática: 2 critérios maiores OU 1 maior + 2 menores + evidência de EBHGA.

Resumo-Chave

O caso apresenta artrite migratória (critério maior) e cardite (sopro holossistólico mitral e alteração no ecocardiograma, outro critério maior), além de evidência de infecção prévia por EBHGA (cultura positiva e ASLO aumentado). Dois critérios maiores e evidência de infecção confirmam o diagnóstico de febre reumática de alta probabilidade.

Contexto Educacional

A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que ocorre como sequela tardia de uma infecção de orofaringe por Estreptococo beta hemolítico do grupo A (EBHGA). É uma das principais causas de doença cardíaca adquirida em crianças e jovens em países em desenvolvimento. O diagnóstico é clínico, baseado nos Critérios de Jones modificados, que combinam manifestações clínicas com evidência de infecção estreptocócica recente. A fisiopatologia envolve uma reação autoimune desencadeada por mimetismo molecular entre antígenos estreptocócicos e tecidos do hospedeiro, especialmente coração, articulações, cérebro e pele. Os Critérios de Jones modificados incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, FR prévia, aumento de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG). Para o diagnóstico, são necessários dois critérios maiores OU um maior e dois menores, sempre com evidência de infecção prévia por EBHGA. O tratamento da FR visa erradicar o EBHGA (se ainda presente), controlar a inflamação e prevenir a recorrência. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para evitar novos episódios e a progressão da doença cardíaca. A cardite reumática é a complicação mais grave, podendo levar a valvulopatias crônicas. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são essenciais para o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores de Jones para febre reumática?

Os critérios maiores de Jones incluem cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado e nódulos subcutâneos. A presença de dois desses critérios, ou um maior e dois menores, com evidência de infecção estreptocócica, confirma o diagnóstico.

Como se comprova a infecção prévia por Estreptococo beta hemolítico do grupo A (EBHGA)?

A infecção prévia por EBHGA pode ser comprovada por cultura de orofaringe positiva, teste rápido de detecção de antígeno positivo ou elevação/aumento dos títulos de anticorpos antiestreptocócicos, como ASLO ou anti-DNAse B.

Qual a importância do sopro holossistólico mitral na febre reumática?

Um sopro holossistólico em foco mitral, irradiando para a axila, é altamente sugestivo de insuficiência mitral, uma manifestação comum da cardite reumática, que é um critério maior para o diagnóstico de febre reumática e indica envolvimento cardíaco.

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