SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Você está na enfermaria de pediatria e avalia um adolescente, 16 anos, com febre reumática apresentando por sopro sistólico ++/6+ em foco mitral. FC=104bpm. Tem também dor e edema em joelho direito e no punho direito. Os resultados dos exames coletados no dia anterior são: PCR= 5mg/dL, VHS=38mm/h, ASO=1200 U Todd/ml. ECO feito hoje: discreto refluxo com discreto espessamento de valva mitral. Demais valvas não apresentam alterações. São visibilizados também sinais de discreta pericardite, sem derrame pericárdico. A mãe informa que ele é alérgico à penicilina benzatina. Ela diz que o adolescente teve um edema de glote quando tomou uma penicilina há 5 anos atrás, sendo, inclusive, necessário ficar dois dias na UTI. Qual das drogas abaixo NÃO pode ser usada para erradicação do estreptococo no caso deste paciente?
Sulfadiazina = Profilaxia secundária; NÃO serve para erradicação (tratamento) do Estreptococo.
A erradicação do estreptococo exige antibióticos bactericidas ou eficazes contra a infecção aguda. A sulfadiazina é bacteriostática e indicada apenas para prevenir novas infecções (profilaxia secundária).
O manejo da febre reumática aguda foca no controle da inflamação (artrite/cardite) e na eliminação do agente causal. A erradicação é o primeiro passo do tratamento antibiótico. Em pacientes com alergia grave à penicilina, a escolha recai sobre macrolídeos ou clindamicina. A sulfadiazina entra apenas na fase subsequente de profilaxia secundária para evitar recorrências, que podem agravar as lesões valvares.
A sulfadiazina é um agente bacteriostático que impede o crescimento bacteriano, mas não é eficaz para eliminar completamente o Streptococcus pyogenes da orofaringe em uma infecção aguda. Seu papel na febre reumática é estritamente preventivo (profilaxia secundária), evitando que novas colonizações se transformem em infecções que desencadeiem surtos da doença.
Para pacientes com história de anafilaxia ou edema de glote por penicilina, as cefalosporinas (como a cefalexina) devem ser evitadas devido ao risco de sensibilidade cruzada. As opções seguras para erradicação incluem macrolídeos (Azitromicina, Eritromicina) ou a Clindamicina.
Mesmo que o paciente não apresente sintomas de faringite no momento do diagnóstico de febre reumática, é obrigatório realizar um curso de antibióticos para garantir a eliminação de qualquer foco residual de Streptococcus pyogenes, interrompendo o estímulo antigênico.
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