Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Uma criança de 10 anos é trazida ao pronto-socorro por seus pais devido a dor nas articulações e febre de início recente. Há 3 semanas, ela apresentou dor de garganta, mas a família não procurou atendimento médico, pois não havia realizado tratamento antibiótico. Ao exame físico, a paciente está febril (38,5°C), com sinais de artrite migratória, afetando inicialmente o joelho esquerdo e depois o tornozelo direito, apresenta eritema nas extremidades dos membros. Sua mãe relata que a criança tem se queixado de cansaço excessivo nas últimas semanas, mas não havia outros sintomas respiratórios. A ausculta cardíaca revela um sopro sistólico de intensidade 3/6, com a região mitral sendo a mais afetada. Após o episódio clínico descrito, qual a duração recomendada da profilaxia com penicilina para prevenir recidivas e complicações?
Cardite com lesão valvar residual → Profilaxia até 40 anos ou permanente.
A profilaxia secundária da febre reumática é vital para evitar novos surtos; em pacientes com sequela valvar crônica (como sopro mitral persistente), a recomendação é o uso de penicilina benzatina por toda a vida ou até os 40 anos.
A febre reumática é uma complicação não supurativa da faringoamigdalite pelo Streptococcus pyogenes. A cardite é a manifestação mais grave, podendo levar à valvopatia reumática crônica, sendo a estenose mitral a lesão mais clássica a longo prazo. A profilaxia secundária visa impedir a colonização orofaríngea pelo estreptococo, evitando a reativação da resposta imune cruzada que agride o endocárdio. O julgamento clínico sobre a duração da profilaxia baseia-se na gravidade do acometimento cardíaco inicial e na persistência de lesões valvares, sendo o acompanhamento ecocardiográfico essencial para monitorar a evolução das lesões.
Para pacientes que tiveram febre reumática mas não apresentaram cardite no surto inicial, a profilaxia secundária deve ser mantida até os 21 anos de idade ou por 5 anos após o último surto (o que durar mais).
O paciente apresenta evidência de cardite com lesão valvar residual (sopro sistólico mitral 3/6). Segundo as diretrizes, na presença de doença valvar residual moderada a grave, a profilaxia deve ser mantida até os 40 anos ou, preferencialmente, por toda a vida (permanente), devido ao alto risco de descompensação em novos surtos.
O padrão-ouro é a Penicilina G Benzatina, administrada por via intramuscular a cada 21 dias. Em casos de alergia comprovada à penicilina, a alternativa é a Eritromicina por via oral.
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