UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Menina de 12 anos de idade, moradora de Ananindeua-PA, apresenta febre de moderada intensidade há 7 dias, associada a artralgia em joelho direito. Mãe conta que no início do quadro febril, apresentava artralgia em tornozelo que melhorou após 3 dias de evolução. Ao exame físico, regular estado geral e edema em joelho direito, sopro em foco mitral 2/4+, sem outras alterações. Para investigar a principal hipótese diagnóstica, é importante solicitar:
Febre + artrite migratória + cardite (sopro) em criança → Febre Reumática, solicitar ASLO.
O quadro clínico de febre, artrite migratória e sopro cardíaco em uma criança é altamente sugestivo de Febre Reumática. A solicitação de ASLO (Anti-estreptolisina O) é fundamental para evidenciar infecção prévia por Estreptococo beta-hemolítico do grupo A, o agente etiológico.
A Febre Reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que ocorre como complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes). É mais comum em crianças e adolescentes de 5 a 15 anos, especialmente em regiões com saneamento básico precário. A FR é uma das principais causas de doença cardíaca adquirida em crianças e jovens adultos em países em desenvolvimento. O diagnóstico da FR é clínico, baseado nos Critérios de Jones revisados, que combinam manifestações clínicas maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevadas, prolongamento do intervalo PR no ECG), associados à evidência de infecção estreptocócica prévia. A evidência de infecção é geralmente obtida pela elevação dos títulos de anticorpos anti-estreptocócicos, como o ASLO (Anti-estreptolisina O) ou anti-DNase B. O tratamento da fase aguda da FR visa erradicar o estreptococo (se ainda presente), controlar a inflamação e prevenir complicações cardíacas. A profilaxia secundária com penicilina benzatina é crucial para prevenir recorrências e, consequentemente, a progressão da doença valvar reumática. A educação do paciente e da família sobre a importância da adesão à profilaxia é fundamental para evitar sequelas cardíacas graves.
Os critérios de Jones revisados incluem critérios maiores (cardite, poliartrite migratória, coreia de Sydenham, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, VHS/PCR elevadas, PR prolongado). O diagnóstico requer evidência de infecção estreptocócica prévia.
O ASLO (Anti-estreptolisina O) é um anticorpo que indica infecção recente por Estreptococo beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus pyogenes), o agente etiológico da Febre Reumática. Sua elevação, ou a de outros títulos de anticorpos anti-estreptocócicos, é essencial para confirmar a etiologia.
O sopro mitral, especialmente se novo ou alterado, sugere cardite reumática, uma das manifestações mais graves da Febre Reumática. A cardite pode levar a valvopatias crônicas, sendo a estenose mitral a mais comum a longo prazo.
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