HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2025
A febre recorrente é uma infecção bacteriana causada por espiroquetas do gênero Borrelia, sendo transmitida de duas formas distintas. Sobre as características clínicas e epidemiológicas dessa doença, é CORRETO afirmar:
Febre recorrente epidêmica = Borrelia recurrentis + Piolho; Endêmica = Borrelia spp + Carrapato.
A febre recorrente é marcada por episódios febris cíclicos devido à variação antigênica das proteínas de superfície da Borrelia, evadindo o sistema imune.
A febre recorrente é uma zoonose ou infecção antroponótica causada por espiroquetas do gênero Borrelia. A forma epidêmica é historicamente associada a guerras e fomes, onde o piolho humano atua como vetor único. A forma endêmica possui reservatórios animais (roedores) e é transmitida acidentalmente ao homem por carrapatos que se alimentam rapidamente, muitas vezes à noite, sem que o paciente perceba a picada. Clinicamente, o quadro inicia-se com febre alta súbita, cefaleia e mialgia, durando de 3 a 7 dias, seguidos por um período afebril. O diagnóstico é frequentemente feito pela visualização direta das espiroquetas em esfregaço de sangue periférico durante o pico febril. O manejo envolve antibioticoterapia e suporte para possíveis complicações hemodinâmicas durante a lise bacteriana.
A febre recorrente epidêmica é causada pela Borrelia recurrentis e transmitida pelo piolho do corpo humano (Pediculus humanus corporis), ocorrendo frequentemente em situações de aglomeração e precariedade sanitária. Já a febre recorrente endêmica é causada por diversas espécies de Borrelia (como B. hermsii) e transmitida por carrapatos de corpo mole do gênero Ornithodoros, geralmente associada a áreas rurais ou contato com roedores.
A recorrência clínica deve-se a um mecanismo sofisticado de variação antigênica programada. As Borrelias alteram suas proteínas de superfície (VMPs) periodicamente. Quando o hospedeiro produz anticorpos contra a variante dominante, a carga bacteriana cai (fim da febre), mas uma nova variante surge e prolifera, causando um novo pico febril até que novos anticorpos sejam produzidos.
O início do tratamento com antibióticos (como penicilina ou tetraciclinas) pode desencadear a Reação de Jarisch-Herxheimer. Esta é uma resposta inflamatória sistêmica aguda causada pela liberação massiva de citocinas e antígenos bacterianos após a lise das espiroquetas, manifestando-se com calafrios, febre alta, hipotensão e taquicardia, exigindo monitorização rigorosa.
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