Febre em Recém-Nascido: Conduta e Risco de Sepse

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino de 20 dias é trazido para avaliação em Unidade de Pronto Atendimento após iniciar hoje com febre, 2 picos até o momento e temperatura máxima de 38°C. Mãe nega qualquer sintoma associado, refere que a criança está bem e aceitando seio materno. Antecedentes pessoais: nasceu com idade gestacional de 36 semanas, parto normal, sem intercorrências, vacinação em dia e sem comorbidades. Ao exame físico, paciente em bom estado geral, com sinais vitais estáveis, não sendo encontradas alterações que justifiquem a origem da febre. Em relação ao caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta:

Alternativas

  1. A) Coletar urina 1 e caso esteja alterada, iniciar antibiótico oral ambulatorial.
  2. B) Não é necessária coleta de exames no momento, apenas reavaliação diária.
  3. C) Considerar os critérios clínicos e laboratoriais de Rochester para conduta.
  4. D) Internar para coleta de exames e antibiótico parenteral.
  5. E) Coletar hemograma e PCR e caso estejam normais, alta e reavaliação diária.

Pérola Clínica

Febre em < 28 dias = sempre internação, investigação completa e ATB parenteral empírico.

Resumo-Chave

Lactentes com menos de 28 dias de vida que apresentam febre (temperatura retal ≥ 38°C) são considerados de alto risco para infecção bacteriana grave, mesmo que pareçam bem. A conduta padrão é internação, investigação laboratorial completa (hemocultura, urocultura, líquor) e início de antibioticoterapia parenteral empírica.

Contexto Educacional

A febre em lactentes com menos de 28 dias de vida é uma condição que exige atenção imediata e uma abordagem agressiva devido ao alto risco de infecção bacteriana grave (IBG), incluindo sepse, meningite e infecção do trato urinário. Diferente de crianças mais velhas, neonatos podem não apresentar sinais claros de toxicidade ou foco infeccioso, e a progressão da doença pode ser rápida e fulminante. A fisiopatologia da vulnerabilidade neonatal reside na imaturidade do sistema imunológico, com menor capacidade de localizar infecções e produzir uma resposta inflamatória eficaz. O diagnóstico de IBG em neonatos febris é clínico e laboratorial. A conduta padrão é a internação hospitalar para investigação completa, que inclui hemograma, PCR, hemocultura, urocultura (preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica) e, na maioria dos protocolos, punção lombar para análise do líquor. O tratamento deve ser iniciado com antibioticoterapia parenteral empírica de amplo espectro imediatamente após a coleta dos exames, antes mesmo dos resultados. A escolha do antibiótico geralmente inclui uma combinação para cobrir os patógenos mais comuns (ex: ampicilina + gentamicina ou ampicilina + cefotaxima). A alta hospitalar e a interrupção do antibiótico só devem ocorrer após a exclusão de IBG e melhora clínica.

Perguntas Frequentes

Por que a febre em recém-nascidos é considerada uma emergência médica?

Recém-nascidos e lactentes jovens possuem um sistema imunológico imaturo, o que os torna mais suscetíveis a infecções bacterianas graves e disseminadas, como a sepse, que podem progredir rapidamente e ter alta morbimortalidade.

Quais exames devem ser solicitados em um recém-nascido febril?

A investigação deve ser completa e incluir hemograma, proteína C reativa (PCR), hemocultura, urocultura (por cateterismo ou punção suprapúbica) e, em muitos casos, punção lombar para análise do líquor.

Quais são os critérios de Rochester e por que não são aplicáveis a neonatos?

Os critérios de Rochester são utilizados para estratificar o risco de infecção bacteriana grave em lactentes de 29 a 90 dias. Eles não são aplicáveis a neonatos (< 28 dias) devido à sua maior vulnerabilidade e à necessidade de uma abordagem mais agressiva.

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