UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
RN, 13 dias, apresenta história de febre, de até 38,1oC, irritabilidade e sucção débil. Segundo a mãe, não houve alteração na diurese, nem no padrão evacuatório. A conduta mais adequada é:
RN < 28 dias com febre (mesmo baixa) + sintomas inespecíficos → Internar, investigar sepse e iniciar ATB parenteral empírico IMEDIATAMENTE.
Febre em recém-nascidos, especialmente nos primeiros 28 dias de vida, é uma emergência médica e deve ser tratada como sepse até prova em contrário. A conduta mais adequada é a internação hospitalar, coleta de exames para investigação de sepse (hemocultura, urocultura, líquor) e início imediato de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, sem aguardar resultados laboratoriais.
A febre em recém-nascidos (RNs), especialmente aqueles com menos de 28-30 dias de vida, é um dos desafios mais críticos na pediatria de emergência. Devido à imaturidade do sistema imunológico e à apresentação clínica inespecífica das infecções graves, qualquer episódio febril em um RN deve ser tratado como uma potencial sepse até que se prove o contrário. A rápida identificação e intervenção são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade significativas. Os sinais de infecção em RNs podem ser sutis e inespecíficos, como irritabilidade, sucção débil, letargia, hipoatividade ou apenas uma alteração no padrão de comportamento. A febre, mesmo que baixa (acima de 38°C), é um sinal de alarme. A conduta padrão ouro é a internação hospitalar para investigação completa de sepse, que inclui hemograma, PCR, hemocultura, urocultura e, dependendo da idade e do estado clínico, punção lombar para análise do líquor. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a coleta dos exames, com antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, antes mesmo dos resultados laboratoriais estarem disponíveis. A escolha dos antibióticos empíricos deve cobrir os patógenos mais comuns na sepse neonatal, como Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. A postergação do tratamento pode ter consequências devastadoras, reforçando a importância da abordagem agressiva e precoce.
A febre em um recém-nascido é uma emergência porque o sistema imunológico neonatal é imaturo, e infecções graves como a sepse ou meningite podem progredir rapidamente com poucos sinais específicos. A febre pode ser o único sinal de uma infecção bacteriana invasiva grave.
A investigação completa para um RN febril inclui hemograma completo com diferencial, proteína C reativa (PCR), hemocultura, exame de urina tipo I e urocultura. Em muitos casos, especialmente em RNs jovens ou com sinais de toxicidade, a punção lombar para análise do líquor também é indicada para descartar meningite.
A antibioticoterapia empírica inicial para sepse neonatal geralmente consiste em uma combinação de ampicilina (para cobrir Listeria monocytogenes e Enterococcus) e um aminoglicosídeo (como gentamicina) ou uma cefalosporina de terceira geração (como cefotaxima) para cobrir bacilos Gram-negativos e Streptococcus agalactiae.
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