HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Um recém-nascido, com 11 dias de vida, iniciou quadro de febre aferida de 38,8 graus há cerca de 24 horas. Os pais referem que criança está bem, mamando sem dificuldades (aleitamento exclusivo) e que acreditam que o quadro se deve ao excesso de roupas. Durante o exame físico, observa-se temperatura de 38,2 graus após 20 minutos sem roupas, com demais dados do exame sem alterações. Qual deve ser a conduta mais adequada nesse caso?
Febre em RN < 28 dias = sempre investigar sepse, incluindo hemocultura, urocultura e punção lombar.
A febre em recém-nascidos, especialmente em menores de 28 dias, é um sinal de alarme que exige investigação completa para descartar sepse neonatal. Mesmo com bom estado geral, a imaturidade do sistema imune do RN impede a exclusão de infecção bacteriana grave sem exames complementares, incluindo a punção lombar.
A febre em recém-nascidos, especialmente nos primeiros 28 dias de vida, é um evento clínico que exige máxima atenção e uma abordagem diagnóstica agressiva. Devido à imaturidade do sistema imunológico neonatal, a capacidade de localizar uma infecção e de apresentar sintomas típicos é limitada, o que significa que infecções bacterianas graves podem se manifestar com sinais sutis ou inespecíficos, mesmo em um bebê que parece 'bem' para os pais. A febre, definida como temperatura retal ≥ 38°C, é considerada uma emergência pediátrica nesse grupo etário. A fisiopatologia da febre em RNs pode estar relacionada a infecções bacterianas graves, como sepse, meningite, pneumonia ou infecção do trato urinário. A investigação diagnóstica deve ser abrangente e incluir a coleta de hemograma completo, proteína C reativa (PCR), hemoculturas, urocultura (preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica) e, crucialmente, a punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). A punção lombar é indispensável, pois a meningite pode ocorrer sem sinais neurológicos evidentes em neonatos e a hemocultura pode ser negativa mesmo com infecção do SNC. O tratamento de um recém-nascido febril deve ser iniciado prontamente após a coleta dos exames, com antibioticoterapia empírica de amplo espectro (geralmente ampicilina e gentamicina ou cefotaxima), cobrindo os patógenos mais comuns na sepse neonatal (Streptococcus agalactiae, E. coli, Listeria monocytogenes). A internação hospitalar é mandatória para monitorização e administração de antibióticos intravenosos. A decisão de descontinuar os antibióticos dependerá dos resultados das culturas e da evolução clínica do paciente.
Os sinais de sepse em recém-nascidos podem ser inespecíficos, incluindo febre ou hipotermia, letargia, irritabilidade, dificuldade para mamar, vômitos, icterícia e alterações respiratórias.
A punção lombar é essencial para descartar meningite bacteriana, uma complicação grave da sepse neonatal que pode não apresentar sinais neurológicos focais em recém-nascidos, mesmo com bom estado geral.
A conduta inicial para um RN febril (<28 dias) é a internação hospitalar para investigação completa de sepse, incluindo hemograma, PCR, hemocultura, urocultura e punção lombar, seguida de antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
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