HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um RN com 18 dias de vida foi levado à emergência pela mãe. Ela relata que seu filho, além de apresentar febre, tem mamado menos e está chorando mais que o habitual. Ao exame físico, afere-se temperatura de 38,5 °C, frequência cardíaca está um pouco aumentada, porém o restante do exame físico encontra-se normal. Com base no caso clínico apresentado, julgue o item.Uma grande preocupação dos pediatras é diferenciar se a febre de uma criança trata-se de uma doença benigna autolimitada, daqueles poucos casos em que se pode ter como causa uma infecção bacteriana grave (IBG). Pela dificuldade de avaliação clínica, menor função imunológica, imunização incompleta e maior frequência de IBG em RNs (neonatos com até 28 dias de vida), a maioria dos serviços tem adotado a prática de triar todos os RNs febris para avaliação de sepse, hospitalizar e iniciar antibioticoterapia empírica até a obtenção de resultados de culturas.
RN febril (<28 dias) → sempre investigar sepse, hospitalizar e iniciar ATB empírico até culturas negativas.
Neonatos com febre, mesmo com exame físico aparentemente normal, devem ser considerados de alto risco para infecção bacteriana grave (IBG) devido à imaturidade imunológica. A conduta padrão inclui investigação completa para sepse, internação e início de antibioticoterapia empírica de largo espectro.
A febre em recém-nascidos (RNs), definidos como neonatos com até 28 dias de vida, é uma preocupação pediátrica significativa e uma das principais causas de internação hospitalar nessa faixa etária. Devido à imaturidade do sistema imunológico, à dificuldade de localização da infecção e à apresentação clínica muitas vezes inespecífica, todo RN febril deve ser considerado de alto risco para Infecção Bacteriana Grave (IBG), incluindo sepse, meningite e infecção do trato urinário. A incidência de IBG em RNs febris varia, mas é alta o suficiente para justificar uma abordagem agressiva. A fisiopatologia da sepse neonatal envolve a invasão de microrganismos na corrente sanguínea de um neonato com defesas imunológicas comprometidas. Os patógenos mais comuns incluem Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. O diagnóstico é desafiador, pois os sinais e sintomas podem ser sutis (irritabilidade, letargia, recusa alimentar, hipotermia ou febre) e o exame físico pode ser normal. Por isso, a suspeita clínica é fundamental. A conduta padrão para um RN febril inclui hospitalização, realização de um "sepsis workup" completo (hemocultura, urocultura, punção lombar para análise de líquor) e início imediato de antibioticoterapia empírica de largo espectro (geralmente ampicilina e gentamicina ou cefotaxima), mesmo antes dos resultados das culturas. Essa abordagem visa cobrir os patógenos mais prováveis e prevenir a progressão rápida da doença, que pode levar a sequelas neurológicas ou óbito. A antibioticoterapia pode ser descontinuada se as culturas forem negativas após 48-72 horas e o RN estiver clinicamente bem.
Recém-nascidos têm um sistema imunológico imaturo, o que os torna altamente suscetíveis a infecções bacterianas graves (IBG) e sepse, que podem progredir rapidamente e levar a morbidade e mortalidade significativas.
A conduta inicial inclui uma avaliação completa para sepse (hemocultura, urocultura, líquor), hospitalização e início imediato de antibioticoterapia empírica de largo espectro, aguardando os resultados das culturas.
Os sinais de infecção em neonatos podem ser sutis e inespecíficos, como irritabilidade, letargia ou recusa alimentar, dificultando a diferenciação entre doenças benignas e infecções bacterianas graves apenas pelo exame físico.
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