FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
UGV tem 22 anos, reside em Guarús, não fez pré-natal regularmente devido ao isolamento social decorrente da pandemia da covid-19. Chegou à Maternidade em período expulsivo e amniótico claro com grumos, sem complicação. Seu marido assistiu ao parto, conforme legislação do Direito ao Acompanhante. Passado 6h do parto, a paciente apresentou temperatura axilar de 37,7 graus C. O plantonista foi chamado e após constatar não haver evidência clínica de outras alterações solicitou hemograma completo que revelou leucocitose de 12.000 sem desvio. O plantonista concluiu que:
Temperatura < 38°C e leucocitose < 15.000 no pós-parto imediato (até 24h) = resposta fisiológica, não infecção.
No pós-parto imediato, é comum a mulher apresentar uma elevação leve da temperatura (até 38°C) e leucocitose (até 15.000-20.000) sem desvio à esquerda, como parte da resposta inflamatória fisiológica ao trabalho de parto e parto. Esses achados isolados, na ausência de outros sinais ou sintomas de infecção, não justificam o início de antibioticoterapia.
O puerpério é um período de intensas modificações fisiológicas no corpo feminino, que se estende do parto até aproximadamente 6 semanas. É crucial para o residente compreender as alterações normais para diferenciar o fisiológico do patológico, evitando intervenções desnecessárias ou atrasos no diagnóstico de complicações. A elevação da temperatura e a leucocitose são achados comuns e, na maioria das vezes, benignos no pós-parto imediato. A hipertermia leve (até 38°C) nas primeiras 24 horas pós-parto é frequentemente atribuída à desidratação, ao esforço físico do trabalho de parto e à reabsorção de produtos da involução uterina. A leucocitose, que pode chegar a 15.000-20.000 leucócitos/mm³ sem desvio à esquerda, reflete a resposta inflamatória sistêmica ao trauma do parto. Ambos os achados, isoladamente e sem outros sinais de infecção, não indicam antibioticoterapia. A conduta correta é a observação e a reavaliação clínica. A febre puerperal de origem infecciosa é definida como temperatura oral de 38°C ou mais em duas ou mais ocasiões, com pelo menos 6 horas de intervalo, após as primeiras 24 horas do parto e durante os primeiros 10 dias pós-parto. Nesses casos, a investigação da fonte infecciosa (endometrite, infecção de ferida, mastite, ITU) e o tratamento adequado são imperativos.
No puerpério imediato, é comum uma elevação da temperatura axilar até 38°C nas primeiras 24 horas pós-parto, geralmente de origem não infecciosa, devido à desidratação e ao esforço do parto.
Não, a leucocitose é fisiológica no puerpério, podendo atingir valores de 15.000 a 20.000 leucócitos/mm³ sem desvio à esquerda, como parte da resposta inflamatória ao estresse do parto. Valores acima disso ou com desvio devem levantar suspeita.
Sinais de alerta para infecção puerperal incluem febre persistente acima de 38°C após as primeiras 24h, dor abdominal intensa, lóquios fétidos, sangramento excessivo, taquicardia materna, calafrios ou sinais localizados como dor e rubor mamário.
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