Febre no Puerpério: Quando Investigar e Como Conduzir

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Puérpera apresenta temperatura axilar de 37,9 ºC. AP: sexto dia pós-parto cesariano (gestação de 39 semanas e parada secundária da descida com 12 horas de bolsa rota). Exame físico: BEG, temperatura sublingual: 37,2 ºC, FC: 72 bpm, mamas túrgidas, flácidas e sem sinais flogísticos, abdome semigloboso, depressível, indolor à palpação profunda, útero palpável 2 a 3 cm acima do bordo superior da sínfise púbica, ferida operatória sem sinais flogísticos, loquiação sem odor fétido. Toque vaginal: útero móvel, indolor à mobilização, colo pérvio: 1,5 cm. Hemograma: Ht: 33%, Hb: 11,2 g/dL, leucócitos: 12400/mm³, neutrófilos: 6800/mm³, bastões: 0/mm³.A conduta correta é:

Alternativas

  1. A) internação e antibioticoterapia.
  2. B) internação para rastreio infeccioso.
  3. C) antibioticoterapia oral e reavaliação em 3 dias.
  4. D) orientar curva térmica sublingual e retorno se necessário.

Pérola Clínica

Febre puerperal < 38°C (axilar) sem outros sinais → curva térmica e observação.

Resumo-Chave

Uma temperatura axilar de 37,9°C no sexto dia pós-parto, sem outros sinais de infecção e com temperatura sublingual normal, não configura febre puerperal e pode ser fisiológica, exigindo apenas observação e curva térmica.

Contexto Educacional

O puerpério é um período de grandes mudanças fisiológicas e anatômicas para a mulher, e a ocorrência de febre é um sinal que sempre demanda atenção. A definição clássica de febre puerperal, que indica uma infecção, é uma temperatura oral ou axilar de 38°C ou mais, aferida em duas ocasiões com pelo menos 6 horas de intervalo, ocorrendo entre o segundo e o décimo dia pós-parto, excluindo as primeiras 24 horas. É crucial diferenciar a febre infecciosa de elevações fisiológicas da temperatura. No caso apresentado, a paciente tem temperatura axilar de 37,9°C, mas a temperatura sublingual é de 37,2°C, que é mais fidedigna e está dentro da normalidade. Além disso, não há outros sinais flogísticos na ferida operatória, mamas ou útero, e a loquiação não é fétida. O leucograma, embora com leucocitose, é comum no puerpério normal (até 15.000/mm³ ou mais, com neutrofilia). A ausência de bastões é um dado tranquilizador. Diante de uma elevação térmica discreta, sem preencher os critérios de febre puerperal e sem outros sinais de infecção, a conduta mais adequada é a observação e a orientação para a paciente realizar uma curva térmica em casa, retornando se houver persistência ou elevação da temperatura, ou surgimento de outros sintomas. A internação e antibioticoterapia seriam precipitadas e desnecessárias neste momento, podendo levar a iatrogenias e resistência antimicrobiana.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de febre puerperal?

Febre puerperal é definida como temperatura oral ou axilar de 38°C ou mais, aferida em duas ocasiões com pelo menos 6 horas de intervalo, ocorrendo entre o segundo e o décimo dia pós-parto, excluindo as primeiras 24 horas.

Quais são as principais causas de febre no puerpério?

As principais causas incluem infecções do trato urinário, endometrite, mastite, infecção da ferida operatória (cesariana ou episiotomia), tromboflebite pélvica séptica e, mais raramente, outras infecções sistêmicas.

Quando a elevação da temperatura no puerpério pode ser considerada fisiológica?

Elevações leves e transitórias da temperatura (geralmente <38°C) podem ocorrer no puerpério devido ao ingurgitamento mamário ou à desidratação, especialmente nos primeiros dias pós-parto, e não indicam necessariamente infecção se outros sinais estiverem ausentes.

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