INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um homem com 23 anos de idade, obeso, encontra-se no terceiro dia pós-operatório de laparotomia exploradora e colorrafia direita após trauma abdominal perfurante. Apresentou dois picos febris com temperatura axilar = 38,5°C. A ausculta pulmonar apresenta diminuição do murmúrio vesicular em bases. O abdome é flácido, com dor à palpação ao redor da incisão e os ruídos hidroaéreos estão diminuídos em número e intensidade. A radiografia simples de abdome mostrou pneumoperitônio com leve distensão de alças. A ultrassonografia abdominal mostrou acúmulo de gases e líquidos nas alças, com pequena coleção de líquido na pelve, cuja análise foi prejudicada pelas condições do paciente. Hemograma com leucocitose moderada, sem desvio. O paciente fez uso de antibioticoterapia profilática, pois não havia contaminação grosseira da cavidade abdominal. Considerando as possíveis causas da febre no pós-operatório, qual deve ser a conduta correta para esse paciente?
Febre no 3º PO + Murmúrio ↓ em bases → Provável atelectasia; conduta expectante e fisioterapia.
Febre baixa nos primeiros dias de pós-operatório, associada a alterações respiratórias leves e sem sinais de peritonite, geralmente reflete atelectasia ou resposta inflamatória sistêmica.
A febre no pós-operatório exige uma análise cronológica rigorosa. No 3º dia, a atelectasia é a causa clássica, corroborada pela diminuição do murmúrio vesicular em bases e ausência de sinais de peritonite. O quadro abdominal descrito (flácido, dor apenas local, pneumoperitônio residual) é compatível com a evolução esperada de uma laparotomia por trauma. Sem sinais de sepse, deiscência de anastomose ou peritonite franca, a conduta inicial deve ser suporte, incentivo à deambulação precoce, fisioterapia respiratória e observação clínica.
A atelectasia pulmonar é a causa mais frequente. Outras possibilidades incluem infecção do trato urinário (se cateterizado), início de infecção de ferida operatória ou trombose venosa profunda.
Sim, o ar residual da abertura da cavidade abdominal pode persistir por até 7 a 10 dias em radiografias, não sendo, isoladamente, um sinal de perfuração de víscera oca no pós-operatório imediato.
Geralmente a febre por coleções infectadas surge mais tardiamente (entre o 5º e 7º PO), acompanhada de íleo paralítico persistente, piora da dor abdominal e leucocitose com desvio à esquerda.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo