Febre Pós-Operatória: Causas no Primeiro Dia de Cirurgia

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma senhora de 54 anos, com IMC: 32 kg/m², está no 1º pós-operatório de operação de Hartmann, por abdômen agudo obstrutivo secundário a tumor de retossigmoide localmente avançado, mas sem evidência de doença à distância. Não houve inter-corrências no intraoperatório. A paciente está eupneica, hidratada, corada e com pulso de 90 bpm, cheio. O abdômen é difusamente doloroso à palpação. A ferida operatória tem secreção mínima, restrita às gazes do curativo. Apresentou um pico febril de 37,8 °C durante a noite. Qual a causa mais provável da febre?

Alternativas

  1. A) Inflamação pós-operatória.
  2. B) Pneumonia aspirativa.
  3. C) Tromboembolismo.
  4. D) Deiscência do coto retal.
  5. E) Infecção urinária.

Pérola Clínica

Febre baixa no 1º-2º pós-operatório = resposta inflamatória sistêmica à cirurgia (SIRS).

Resumo-Chave

A febre de baixo grau (até 38°C) no primeiro ou segundo dia pós-operatório é uma ocorrência comum e geralmente benigna, atribuída à resposta inflamatória sistêmica (SIRS) ao trauma cirúrgico. Não costuma indicar infecção grave nesse período, a menos que acompanhada de outros sinais de alarme.

Contexto Educacional

A febre no pós-operatório é uma ocorrência comum e seu significado clínico varia consideravelmente dependendo do tempo decorrido desde a cirurgia. No primeiro dia pós-operatório (DPO 1), como no caso apresentado, uma febre de baixo grau (geralmente abaixo de 38.5°C) é mais frequentemente atribuída à resposta inflamatória sistêmica do corpo ao trauma cirúrgico. Esta resposta é mediada pela liberação de citocinas e outros mediadores inflamatórios. Outras causas de febre precoce incluem atelectasia pulmonar, que é comum após cirurgias abdominais devido à hipoventilação e dor, e desidratação. Complicações infecciosas graves, como pneumonia aspirativa, tromboembolismo ou deiscência de anastomose/coto retal, são menos prováveis de se manifestar com uma febre tão discreta e isolada no DPO 1. Essas condições geralmente apresentam febres mais elevadas, calafrios, piora do estado geral ou sinais localizatórios mais evidentes. O manejo da febre pós-operatória precoce geralmente envolve monitoramento, hidratação adequada e incentivo à mobilização e fisioterapia respiratória para prevenir atelectasias. A investigação mais aprofundada com exames laboratoriais e de imagem é reservada para febres mais elevadas, persistentes, ou acompanhadas de outros sinais e sintomas que sugiram uma complicação específica.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de febre no pós-operatório imediato (primeiras 24-48h)?

As causas mais comuns incluem a resposta inflamatória sistêmica ao trauma cirúrgico (SIRS), atelectasia pulmonar e desidratação. Infecções graves são menos prováveis nesse período.

Quando a febre pós-operatória deve levantar preocupação para uma complicação grave?

A febre deve levantar preocupação se for alta (>38.5°C), persistente, acompanhada de calafrios, hipotensão, taquicardia desproporcional, dor localizada intensa ou outros sinais de sepse ou infecção específica.

Como diferenciar a febre inflamatória de uma febre infecciosa no pós-operatório?

A febre inflamatória é geralmente de baixo grau e autolimitada nas primeiras 48h. A febre infecciosa tende a ser mais alta, persistente, e frequentemente associada a outros sinais e sintomas localizatórios (ex: tosse produtiva, dor à micção, sinais de infecção de ferida).

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